A indústria de defesa ucraniana está desenvolvendo a tecnologia de enxames (swarms) para seus drones interceptadores, um avanço estratégico para proteger seu território dos maciços ataques aéreos russos. O trabalho, conduzido por múltiplas empresas com apoio do governo através da Brave1, visa criar um sistema mais eficiente e escalável de defesa antiaérea de baixo custo.
O objetivo é maximizar a eficiência dos interceptadores, permitindo que um único operador controle vários drones ao mesmo tempo, tanto local quanto remotamente. A Brave1 afirmou que este cenário está mais próximo de se tornar realidade e de ser aplicado em combate em escala do que drones que se comunicam autonomamente durante o voo.
Uma defesa crucial e de baixo custo
Os drones interceptadores são uma camada crítica na defesa aérea da Ucrânia. Eles são usados para caçar drones de ataque e reconhecimento russos, voando diretamente contra os alvos ou explodindo nas proximidades para destruí-los no ar. Cada drone é controlado por um único piloto e pode custar apenas US$ 1.200, um valor insignificante perto dos US$ 10.000 a US$ 100.000 estimados para os drones russos.
O presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou em meados de março que o país agora tem capacidade de produzir pelo menos 2.000 drones interceptadores por dia. Essa escala de produção é vital, já que a Ucrânia enfrenta ataques regulares que podem envolver centenas de drones em uma única noite, com um pico de quase 1.000 drones lançados pela Rússia em um período de 24 horas na semana passada.
Desenvolvimento em andamento e visões divergentes
A Brave1 não revelou quão avançado está o desenvolvimento dos enxames, mas confirmou que está testando e desenvolvendo componentes essenciais. Estes incluem sistemas de comunicação (entre drone e estação terrestre e entre drones), posicionamento e navegação, detecção e reconhecimento de alvos, e orientação terminal.
No entanto, há visões divergentes sobre o prazo para essa tecnologia. Um representante da Wild Hornets, fabricante ucraniana do popular drone interceptador Sting, disse à Business Insider que considera os enxames de drones uma tecnologia distante. "O que está disponível agora é um algoritmo primitivo que é ineficaz em combate", afirmou.
Autonomia com supervisão humana e interesse global
A Brave1 esclareceu que a meta é permitir interceptações totalmente autônomas, mas mantendo humanos no ciclo de direcionamento de alvos. A ideia é aliviar a carga de trabalho dos pilotos, não substituí-los. A organização também destacou que, em alguns cenários de ataques massivos, faz sentido lançar múltiplos interceptadores contra um único alvo para garantir a defesa.
O sucesso dos drones interceptadores na Ucrânia despertou o interesse dos Estados Unidos e seus aliados, que buscam soluções de defesa aérea de baixo custo para a crescente ameaça global de drones, evitando o uso de mísseis que custam milhões de dólares. Recentemente, vários estados do Golfo Pérsico procuraram a ajuda da Ucrânia para lidar com os milhares de drones de ataque lançados pelo Irã contra seus vizinhos regionais.