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Um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que a Inteligência Artificial (IA) está presente no discurso, mas não na rotina operacional da maioria das empresas de varejo na capital paulista. A pesquisa mostra que mais da metade dessas empresas ainda não utiliza nenhuma ferramenta de IA, e uma parcela significativa sequer tem planos de adoção no curto prazo.

O principal entrave identificado não é a resistência ideológica, mas a falta de conhecimento prático sobre a tecnologia. A barreira é mais concreta para o perfil majoritário do varejo brasileiro, composto por micro, pequenas e médias empresas, para as quais a tecnologia representa custo, risco e uma curva de aprendizado a ser enfrentada.

Curiosidade não se transforma em estratégia

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Apesar do descompasso na adoção, o interesse pelo tema é alto. Seis em cada 10 empresas buscam ativamente informações sobre IA, principalmente em redes sociais, conteúdos online e cursos. No entanto, conforme a pesquisa, "informação solta não vira estratégia".

As ferramentas mais citadas são as mais acessíveis, servindo como porta de entrada. Soluções de processamento de linguagem natural, como geradores de texto e assistentes virtuais, são testadas por serem muitas vezes gratuitas e aplicáveis a tarefas imediatas, como atendimento e produção de conteúdo.

Divisão entre portes e impacto no trabalho

A distância tecnológica entre pequenos e grandes negócios é evidente. Enquanto empresas de maior porte já recorrem a fornecedores especializados e consultorias, as menores aprendem sozinhas, no ritmo possível. Um ponto comum a todos os portes, porém, é a falta de conhecimento interno, considerado o principal entrave, superando até questões orçamentárias.

O impacto no mercado de trabalho surge como pano de fundo. Uma parcela significativa dos empresários reconhece que a IA vai alterar funções, exigir novas habilidades e reorganizar áreas como marketing, vendas e atendimento. A percepção da transformação existe, mas o planejamento para ela, nem sempre.

O risco de chegar atrasado à transformação

O estudo alerta para o risco de o setor repetir um padrão histórico: reconhecer a transformação digital apenas quando ela já está em curso, em vez de se preparar com antecedência. A conclusão da FecomercioSP é que a IA só se consolidará no varejo quando deixar de ser uma promessa e se tornar uma ferramenta integrada, compreendida e aplicada com propósito claro.

Enquanto esse salto não ocorre, a inteligência artificial permanece ocupando um espaço confortável no setor: o do discurso, e não o da operação diária.