Venezuela anuncia libertação de presos políticos como gesto unilateral de paz
Governo chavista agradece mediação de Lula e ex-premiê espanhol em processo que inclui estrangeiros.
O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de "um número importante" de presos políticos, incluindo venezuelanos e estrangeiros, como um "gesto unilateral" para consolidar a paz no país. O anúncio foi feito pelo presidente do Parlamento e chefe negociador do chavismo, Jorge Rodríguez, em coletiva transmitida pelo canal estatal Venezolana de Televisión (VTV).
Rodríguez afirmou que o processo de libertação "está em andamento" e agradeceu a mediação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. O Reino do Catar e as instituições do Estado venezuelano também foram citados como facilitadores do gesto.
Contexto de pressão internacional
O anúncio ocorre cinco dias após uma operação militar dos Estados Unidos em território venezuelano que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A medida também surge em meio a crescentes pressões de organizações não governamentais e da oposição venezuelana pela libertação de presos políticos.
Segundo o último boletim da ONG Foro Penal, existem 863 presos políticos no país, sendo 86 estrangeiros ou pessoas com dupla nacionalidade. O governo venezuelano, no entanto, sustenta que essas pessoas estão detidas por "cometerem crimes terríveis".
Exclusão da oposição e foco constitucional
Em sua declaração, Jorge Rodríguez foi enfático ao afirmar que não dialogou com "nenhum setor extremista" – termo frequentemente usado pelo chavismo para se referir aos principais líderes da oposição. "Estamos conversando com instituições políticas, partidos políticos e organizações políticas que respeitam e cumprem o que está estabelecido na Constituição", esclareceu o parlamentar.
Ele reiterou que as libertações são um movimento autônomo do governo bolivariano, destinado a buscar a paz e garantir que "nossa república continue sua vida pacífica e sua busca pela prosperidade".
Próximos passos e reações
Rodríguez não especificou o número exato de pessoas que serão libertadas nem detalhou um cronograma para as solturas. A medida é vista como uma tentativa de desescalar tensões políticas internas e melhorar a imagem internacional do país após a captura de Maduro.
O sucesso deste "gesto unilateral" e seu impacto na estabilidade política da Venezuela dependerão da execução prática das libertações e da resposta dos setores oposicionistas excluídos das negociações.
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