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Mikko Hyppönen, um dos nomes mais respeitados da cibersegurança global, está em uma nova missão após mais de três décadas combatendo malware. O finlandês, que ficou conhecido por descobrir o devastador vírus ILOVEYOU em 2000, agora atua como diretor de pesquisa da Sensofusion, empresa que desenvolve sistemas de defesa antiaérea contra drones. A mudança foi motivada pela guerra na Ucrânia e pela proximidade de seu país com uma Rússia considerada hostil.

Com 35 anos de carreira, Hyppönen estima ter analisado milhares de tipos diferentes de malware. Sua trajetória começou no final dos anos 1980, hackeando proteções antipirataria de jogos para o console Commodore 64. Ele se profissionalizou na empresa finlandesa Data Fellows, que mais tarde se tornou a gigante do antivírus F-Secure.

Da era dos disquetes à guerra cibernética moderna

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Hyppönen testemunhou a evolução das ameaças digitais. Nos primeiros anos, vírus como o Form.A eram criados por curiosidade e se espalhavam por disquetes, chegando até a bases de pesquisa no Polo Sul. A virada veio com pragas como o ILOVEYOU, um worm que infectou mais de 10 milhões de computadores Windows em 2000 ao se autorreplicar por e-mail.

“A era dos vírus está firmemente para trás de nós”, afirmou Hyppönen em entrevista. Hoje, o malware é ferramenta quase exclusiva de criminosos, espiões e fabricantes de spyware mercenários, com raras exceções de worms autopropagantes, como os ataques WannaCry (2017) e NotPetya.

Indústria madura e novos desafios

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Enquanto a cibersegurança se tornou um mercado de US$ 250 bilhões e dispositivos como o iPhone são considerados extremamente seguros, Hyppönen vê na guerra de drones um campo quase inexplorado. “É mais significativo trabalhar combatendo drones, não apenas os que vemos hoje, mas também os drones de amanhã”, disse. “Estamos do lado dos humanos contra as máquinas.”

Para ele, que serve nas reservas militares da Finlândia e tem dois avós que lutaram contra russos, a ameaça é concreta: “Passei uma grande parte da minha carreira lutando contra ataques de malware russo. Agora estou lutando contra ataques de drones russos”.

Estratégias similares: das assinaturas de vírus às frequências de rádio

O especialista traça paralelos diretos entre as duas frentes de batalha. Assim como os antivírus usam assinaturas digitais para identificar e bloquear códigos maliciosos, os sistemas antiaéreos detectam drones analisando seus protocolos e frequências de rádio (amostras IQ).

“Detectamos o protocolo a partir daí e construímos assinaturas para detectar drones desconhecidos”, explicou. A vantagem no combate aéreo, segundo ele, é que uma vulnerabilidade descoberta pode ser explorada para fazer o drone cair. “Se você encontra uma vulnerabilidade, está pronto.”

A transição de Hyppönen, anunciada em meados de 2025, simboliza a convergência entre guerras cibernéticas e convencionais. Enquanto a indústria que ajudou a construir continua a enfrentar ameaças digitais tradicionais, o veterano agora aplica sua expertise em um novo front, onde o sucesso também se mede pelo que não acontece – drones inimigos que não alcançam seus alvos.