O imposto que custou 5.000 robôs de guerra à Ucrânia em 2026
Uma taxa de 20% sobre veículos elétricos quase quebrou a indústria de drones terrestres ucranianos. Descubra como.
Imagine a cena: você está numa guerra, precisa de milhares de robôs para salvar vidas no front, mas um detalhe burocrático sufoca a produção inteira. Foi exatamente o que aconteceu na Ucrânia este ano.
Uma taxa de 20% sobre veículos elétricos, que entrou em vigor em janeiro, custou ao exército ucraniano a chance de ter 5.000 drones terrestres a mais na linha de frente. O número não é especulação — é o cálculo do CEO da principal associação de defesa do país.
O erro de classificação que quase matou a indústria
Ihor Fedirko, CEO do Conselho Ucraniano da Indústria de Defesa, revelou em entrevista ao Business Insider que o governo planejava comprar 25.000 UGVs (veículos terrestres não tripulados) no primeiro semestre de 2026. Sem o imposto, seriam 30.000. "Para nossas forças armadas, isso é uma enormidade", disse ele.
O problema? Os drones terrestres são tão novos que a classificação comercial do país os colocou na mesma categoria de carros elétricos. Resultado: uma taxa de valor agregado (IVA) que, sob lei marcial, nem deveria existir para equipamentos de guerra.
"Três meses sem contratos do Estado. É loucura. É impossível sobreviver assim", desabafou Fedirko.
Fábricas paradas e a corrida contra o tempo
Entre janeiro e março, fabricantes como a Tencore, criadora do popular drone TerMIT, ficaram sem encomendas oficiais. Algumas empresas reduziram sua capacidade pela metade, demitiram engenheiros e passaram a vender para organizações voluntárias para não fechar as portas.
Outras tentaram reclassificar seus robôs como tanques ou veículos blindados para escapar do imposto. Uma gambiarra desesperada para manter a linha de produção funcionando.
A situação só começou a se resolver em abril, quando o Ministério da Defesa prometeu "desbloquear" os contratos. Mas o estrago já estava feito: seis meses de atraso, que para a Ucrânia em guerra "parecem uma eternidade", nas palavras de Fedirko.
O projeto de lei que pode salvar (ou não) os robôs
No dia 19 de maio, 45 parlamentares ucranianos apresentaram um projeto de lei para definir os UGVs como um bem separado, isentando-os da taxa de 20%. A discussão deve acontecer nas próximas duas semanas.
Se aprovado, o impacto será imediato: a economia estimada é de 8 a 10 bilhões de hryvnias (cerca de US$ 200 milhões). Mas Fedirko alerta que levaria mais dois meses para o efeito chegar às fábricas e restaurar a produção.
Enquanto isso, o exército ucraniano planeja comprar 50.000 drones terrestres até o fim do ano. Cada unidade custa entre US$ 5.000 e US$ 100 mil, dependendo do modelo e do equipamento.
O que isso significa para o futuro da guerra
O presidente Volodymyr Zelenskyy revelou que, só nos primeiros três meses de 2026, as forças ucranianas realizaram mais de 22.000 missões com drones terrestres — incluindo logística, evacuação e ataques a posições russas.
Cinco mil robôs a menos não é apenas um número. São soldados que arriscam a vida em missões que poderiam ser feitas por máquinas. É uma corrida contra o tempo e contra a própria burocracia, onde cada dia de atraso custa vidas no front.
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