Entrar
Apagões durante onda de frio testam resiliência da Ucrânia após ataques russos
Mundo

Apagões durante onda de frio testam resiliência da Ucrânia após ataques russos

Cortes emergenciais de energia afetam grande parte do país em meio a temperaturas abaixo de -10°C.

Redação
Redação
23 de janeiro de 2026

A Ucrânia enfrenta uma das situações mais críticas desde o início da guerra, com apagões generalizados após uma intensificação dos ataques russos à sua infraestrutura elétrica. Os cortes emergenciais ocorrem durante uma forte onda de frio, com termômetros marcando abaixo de -10°C, deixando populações sem aquecimento, eletricidade ou água potável por dias.

Quase meio milhão de pessoas fugiram da capital, Kiev, segundo relatos. O ministro da Energia, Denys Shmyhal, classificou a sexta-feira (23) como o dia mais difícil desde o grande blecaute de novembro de 2022, após uma nova série de ataques.

Infraestrutura no limite e resposta internacional

O operador nacional Ukrenergo informou que mísseis e drones danificaram diversas instalações de geração. Com metade de sua capacidade perdida e forte dependência de energia nuclear, o sistema elétrico opera no limite. Maxim Timchenko, diretor da maior empresa privada de energia do país, descreveu a situação como "próxima de uma catástrofe humanitária".

Em resposta, a União Europeia anunciou o envio de 447 geradores emergenciais, avaliados em 3,7 milhões de euros, para hospitais e serviços essenciais. A Polônia também enviou centenas de geradores de suas reservas nacionais, com outros 90 doados pela cidade de Varsóvia para a região de Kiev.

Negociações de paz em andamento

Enquanto a crise humanitária se agrava, representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos iniciaram conversas trilaterais em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, nesta sexta-feira. É a primeira vez que funcionários do governo Trump se reúnem simultaneamente com negociadores dos dois lados do conflito.

A delegação russa é chefiada pelo general Igor Kostyukov, diretor da agência de inteligência militar GRU. A comitiva ucraniana é liderada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa. As negociações devem continuar pelos próximos dois dias.

Impasses territoriais permanecem

O presidente Volodymyr Zelensky, durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, afirmou que a Rússia ataca a infraestrutura deliberadamente para "causar apagões" e afetar civis. Ele reiterou que o futuro da região do Donbass será central nas discussões e sua abertura para criar uma zona de livre comércio sob controle ucraniano no leste.

O Kremlin, no entanto, reforçou que não há acordo possível sem resolver o "problema territorial". O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, exigiu que as Forças Armadas ucranianas abandonem o território do Donbass. A Alemanha expressou ceticismo sobre a disposição russa em fazer concessões.

Autoridades energéticas ucranianas esperam concluir os reparos mais urgentes "em um futuro próximo", o que permitiria um retorno a cortes programados, em vez de apagões imprevisíveis.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.