Rich Ruohonen, de 58 anos, é o atleta mais velho a representar os Estados Unidos em uma Olimpíada. O curler, que atuou como reserva da equipe masculina norte-americana nos Jogos de 2026, concilia a carreira esportiva de alto rendimento com um emprego em tempo integral como advogado, realidade comum a muitos competidores dos EUA em modalidades de inverno.
Enquanto atletas de outros países recebem salários e têm despesas pagas por seus governos para se dedicarem exclusivamente ao treino, nos Estados Unidos o cenário é diferente. "Infelizmente, nos EUA, não é assim que funciona. É uma das desvantagens de ser um atleta norte-americano", afirmou Ruohonen em entrevista ao *Business Insider*. Os atletas recebem apenas um pequeno estipêndio, o que obriga a maioria a ter empregos paralelos.
Rotina exaustiva entre gelo e escritório
A rotina de Ruohonen é intensa. Em semanas sem competições, ele acorda às 5h15 para dirigir 48 quilômetros até o centro de treinamento, onde pratica das 6h às 7h30. Em seguida, corre para o trabalho, onde cumpre expediente das 8h às 18h, frequentemente estendendo a jornada. À noite, ele ainda treina no "Tuesday night league" e pratica o "throw rocks" – como é chamado o treino específico de curling – várias vezes por semana.
Aos fins de semana, o atleta dedica de duas a quatro horas por dia ao esporte, usando o tempo restante para colocar em dia o trabalho no escritório de advocacia. "Quando estou viajando, ainda trabalho 40 horas ou mais. Não é fácil. Eu não durmo muito", revelou.
Trajetória e sacrifícios de 25 anos
Ruohonen começou a praticar curling aos 12 anos, ensinado pelo pai. Sua trajetória competitiva se intensificou nos últimos 25 anos. Ele participou do campeonato nacional masculino pela primeira vez em 1998, venceu o torneio duas vezes e esteve presente em 21 das últimas 23 edições. Apesar de ter disputado seletivas olímpicas anteriormente, só conseguiu sua vaga como reserva ("alternate") para os Jogos de 2026.
O comprometimento exigiu sacrifícios pessoais e familiares. "Minha esposa ficou em casa porque eu não estava presente e teve que fazer mais coisas com as crianças, que hoje têm 21 e 24 anos", contou o atleta, reconhecendo o apoio fundamental da família.
Futuro incerto e próximos desafios
Apesar da idade, Ruohonen segue ativo. Em abril, ele competirá no Campeonato Mundial Sênior, tornando-se provavelmente o único atleta a ir a um Mundial Sênior e a uma Olimpíada no mesmo ano. Ele também participa de eventos de curling beneficentes, como os realizados para a Lupus Foundation, onde pessoas pagam para jogar com ele como "skip" (capitão da equipe).
Já há interesse em sua participação nas Olimpíadas de 2030, mas a decisão não é simples. "É difícil dizer sim. Foi um compromisso enorme por 25 anos", ponderou. Mesmo como reserva, ele teria que participar de todos os treinos e compromissos com colegas de equipe que têm metade de sua idade. "Ainda jogo bem o suficiente para continuar... mas é mais difícil levantar de manhã com meus joelhos estalando o tempo todo. Também penso em como seria bom ir ao México no inverno em vez de Calgary", concluiu, sem descartar completamente a aposentadoria.