Bilionários do Vale do Silício perdem US$ 198 bilhões com recuo da febre da IA
Queda nas ações de gigantes da tecnologia reflete ceticismo dos investidores com gastos em inteligência artificial.
Cinco dos maiores bilionários do setor de tecnologia tiveram uma redução combinada de quase US$ 200 bilhões em suas fortunas pessoais desde o início do ano, conforme dados do Bloomberg Billionaires Index. A queda coincide com um arrefecimento do entusiasmo dos investidores com a inteligência artificial e com a turbulência nos mercados financeiros globais devido ao conflito entre EUA, Israel e Irã.
Larry Ellison, cofundador e diretor de tecnologia da Oracle, lidera as perdas, com uma redução de aproximadamente US$ 60 bilhões. Sua fortuna, estimada em US$ 188 bilhões no fechamento de sexta-feira, está bem abaixo do pico de quase US$ 400 bilhões alcançado em setembro do ano passado, quando ele chegou a destronar Elon Musk como a pessoa mais rica do mundo.
Queda acentuada nas ações
A forte queda na riqueza de Ellison foi impulsionada por uma queda de quase 30% no preço das ações da Oracle neste ano. Investidores têm demonstrado descontentamento com a expansão da empresa de software corporativo no setor de centros de dados para IA, financiada por dívidas.
Mark Zuckerberg, cofundador e CEO da Meta, viu sua fortuna encolher em US$ 46 bilhões, totalizando US$ 187 bilhões. As ações da controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp caíram 20% em 2025, enquanto a empresa enfrenta processos judiciais e ceticismo crescente sobre seus planos massivos de gastos em IA.
Outras grandes perdas no setor
Os cofundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, registraram quedas de US$ 32 bilhões e US$ 29 bilhões, respectivamente. Jeff Bezos, fundador da Amazon, teve sua fortuna reduzida em cerca de US$ 31 bilhões. As ações da Alphabet (controladora do Google) e da Amazon caíram aproximadamente 12% e 14% no ano.
Fora do grupo das "Big Tech", Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft, viu sua riqueza diminuir em US$ 41 bilhões, refletindo uma queda de 26% nas ações da empresa de software. Bernard Arnault, fundador e CEO da LVMH, perdeu quase US$ 58 bilhões com a queda de 29% nas ações do gigante do luxo.
Contexto de turbulência global
Os mercados acionários mundiais têm enfrentado uma venda generalizada nas últimas semanas. O conflito no Oriente Médio e o fechamento virtual do Estreito de Hormuz, uma rota crucial para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), elevaram os preços do petróleo. Esse cenário aumentou a pressão sobre os consumidores, reduziu as previsões de crescimento, reacendeu temores inflacionários e frustrou expectativas de cortes rápidos nas taxas de juros em vários países.
Enquanto isso, Elon Musk, que permanece no topo do ranking de bilionários com uma fortuna de US$ 637 bilhões (aumento de US$ 17 bilhões no ano), vê a valorização de seus negócios privados, como a SpaceX e a xAI, compensar a queda de 20% nas ações da Tesla.
Ceticismo sobre o "hype" da IA
A enorme euforia em torno da IA e seu potencial para impulsionar a produtividade e multiplicar os lucros corporativos levaram as ações de tecnologia a máximas históricas nos últimos anos. No entanto, céticos como Michael Burry, famoso por prever a crise do subprime em 2008, alertam que o entusiasmo criou uma bolha caracterizada por avaliações exorbitantes, excesso de investimentos e negócios circulares que podem terminar mal.
Page, Bezos, Brin, Ellison, Zuckerberg e Arnault ocupam, nessa ordem, as posições de segunda a sétima no ranking de bilionários da Bloomberg.
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