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Uma campanha de boicote contra a marca de chinelos Havaianas foi iniciada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro após a veiculação de uma propaganda estrelada pela atriz Fernanda Torres. O comercial, que estreou no início do verão, gerou reação de parlamentares como Nikolas Ferreira e Bia Kicis, ambos do PL.

A polêmica centra-se em uma fala da atriz no anúncio: "não deveríamos entrar com o pé direito em 2026". Para a ala bolsonarista, a frase, fora de contexto, conteria uma mensagem subliminar contra a direita em ano eleitoral. A interpretação ocorre apesar de Fernanda Torres ser conhecida por seu engajamento em defesa da democracia.

Contexto da propaganda e reação

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O comercial pretendia unir dois símbolos nacionais: a atriz, primeira brasileira a vencer o Oscar, e a marca de chinelos, reconhecida internacionalmente como "Brazilian flip-flops". O modelo apresentado tem solado que imita grãos de arroz, inspirado nas sandálias zōri japonesas.

Na sequência completa, a mensagem da atriz é para "começar o ano com os dois pés", expressão coloquial para iniciar algo com determinação total. A assessoria da Alpargatas, fabricante das Havaianas, não se pronunciou sobre a campanha de boicote até o momento.

Ampliação da polêmica nas redes

A thread da polêmica nas redes sociais associou a atriz a ícones da esquerda, como Che Guevara e Fidel Castro, apesar de nenhuma imagem do tipo aparecer no comercial. A campanha online expandiu-se para incluir críticas à "esquerda" e à "cultura nacional", setores historicamente desafiados por parte dos bolsonaristas.

Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva, viúva do ex-presidente João Goulart, na série "Ainda Estou Aqui", trabalho que reforça sua imagem pública de defesa das instituições democráticas.

Impacto e alcance do boicote

Analistas de mercado avaliam que o impacto comercial do movimento deve ser limitado, servindo mais como manifestação política simbólica. A visibilidade da propaganda, no entanto, aumentou significativamente após o início da controvérsia.

O episódio reflete a polarização política que permeia discussões públicas no Brasil, onde marcas e figuras públicas frequentemente são alinhadas a espectros ideológicos por parte da população.