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O vinil, formato musical considerado obsoleto há décadas, vive um retorno recorde e agora supera as vendas de CDs e downloads de MP3. Segundo dados do setor, o disco de vinil é atualmente o formato físico de maior faturamento na indústria da música, marcando uma reviravolta histórica no consumo de mídia.

O fenômeno é impulsionado por uma demanda global que ressuscitou uma cadeia produtiva outrora em declínio. Para entender essa retomada, a reportagem visitou a maior fábrica de vinis do mundo, a GZ Media, localizada na República Tcheca, e uma prensagem menor em Nova Jersey, Estados Unidos, que tenta se manter competitiva.

Gigante tcheco domina o mercado global

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A GZ Media se consolidou como a maior fabricante do setor, capitalizando a onda de nostalgia e o apelo tangível do vinil. A fábrica tcheca opera em escala industrial para atender a uma demanda internacional que não para de crescer, consolidando seu papel central na cadeia de suprimentos do formato ressurgente.

"A escala de operação aqui é fundamental para atender o mercado global", explicou um representante da indústria, sobre a estratégia da GZ Media. A empresa se beneficiou de investimentos antecipados em capacidade produtiva quando o renascimento do vinil ainda dava seus primeiros sinais.

Fábricas americanas navegam em marés turbulentas

Enquanto o gigante tcheco prospera, fábricas de menor porte, como a visitada em Nova Jersey, enfrentam desafios distintos. A concorrência é acirrada, não apenas com produtores estrangeiros de grande escala, mas com a pressão de custos e prazos de um mercado aquecido.

Para se manterem à tona, essas prensagens norte-americanas adotam estratégias como focar em tiragens limitadas, edições especiais para colecionadores e um serviço mais personalizado e ágil para artistas independentes e selos menores. "É uma batalha diferente, onde a agilidade e o nicho são nossas principais armas", comentou um operador da fábrica de Nova Jersey.

Contexto de um renascimento improvável

O retorno do vinil é um dos capítulos mais surpreendentes da indústria cultural nas últimas duas décadas. Após serem considerados tecnologia morta nos anos 1990 e 2000, impulsionados pelo CD e depois pela música digital, os LPs começaram uma recuperação lenta por volta de 2010, que se acelerou dramaticamente na década de 2020.

Especialistas apontam que, além da nostalgia, fatores como a valorização do objeto físico, a experiência ritualística de ouvir um disco e a maior qualidade sonora percebida alimentam a tendência. O fenmeno também reflete uma reação ao caráter efêmero e abundante do streaming musical.

Futuro do formato depende de cadeia sustentável

O crescimento contínuo do setor agora depende da capacidade de a cadeia produtiva se expandir de forma sustentável. Há gargalos, como a disponibilidade de matéria-prima (o PVC) e a escassez de máquinas de prensagem vintage, cuja fabricação parou por anos.

Analistas do mercado musical observam que, para o vinil manter sua trajetória, será necessário equilibrar a produção em massa de grandes hits – atendida por fábricas como a GZ Media – com a manufatura especializada que mantém viva a cena independente, representada por operações como a de Nova Jersey. O sucesso do formato, portanto, parece depender dessa coexistência entre o gigante global e os artesãos locais da indústria.