Calçadas artesanais de Portugal enfrentam dilema entre tradição e acessibilidade
Ofício secular de calçador está ameaçado pela substituição do piso irregular por superfícies planas e antiderrapantes.
As icônicas calçadas portuguesas, famosas por seus desenhos artesanais e valor histórico, estão no centro de um debate que opõe preservação cultural e segurança urbana. O ofício de calçador, profissão secular responsável por criar esses pisos, enfrenta risco de extinção à medida que cidades portuguesas substituem o pavimento tradicional. A mudança é motivada pela necessidade de melhorar a acessibilidade para cadeirantes, idosos e pedestres.
O piso irregular e escorregadio das calçadas tradicionais, especialmente em dias de chuva, representa um desafio para a mobilidade urbana e aumenta o risco de acidentes. Diante disso, municípios têm optado por superfícies planas e antiderrapantes, solução considerada mais funcional para a circulação segura de todos os cidadãos.
Impacto na profissão e no patrimônio
A decisão de substituir as calçadas artesanais impacta diretamente a preservação do ofício de calçador, uma profissão que se tornou rara em Portugal. "É um patrimônio cultural imaterial que estamos a perder", afirmam especialistas em preservação histórica ouvidos pela reportagem. A técnica, transmitida por gerações, envolve o assentamento manual de pedras de calcário e basalto para formar padrões complexos.
As calçadas portuguesas, que encantam turistas em cidades como Lisboa e Porto, são um símbolo nacional reconhecido mundialmente. Sua origem remonta ao século XIX, quando começaram a ser implementadas como solução de pavimentação urbana, evoluindo para uma expressão artística única.
O debate sobre o futuro das cidades
O conflito entre tradição e modernidade coloca em discussão como as cidades devem se adaptar às necessidades contemporâneas sem perder sua identidade histórica. Defensores da acessibilidade argumentam que a segurança e a inclusão devem ser prioridades absolutas no planejamento urbano.
Por outro lado, preservacionistas alertam para a perda irreparável de um saber-fazer tradicional e de uma característica distintiva da paisagem urbana portuguesa. Algumas cidades estudam soluções intermediárias, como a manutenção das calçadas artesanais em áreas turísticas específicas, enquanto adotam pisos acessíveis em vias de maior circulação.
O governo português ainda não estabeleceu uma política nacional unificada sobre o tema, deixando a decisão a cargo de cada município. Enquanto isso, a profissão de calçador continua a desaparecer, com poucos jovens interessados em aprender uma técnica cuja demanda diminui a cada ano.
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