Jason Chinnock, CEO da Ducati North America, atribui sua trajetória de sucesso de mais de duas décadas na fabricante italiana de motocicletas de luxo a três movimentos de carreira fundamentais. Em entrevista ao Business Insider, o executivo, que ingressou na empresa em 2004 como gerente de vendas, detalhou como o planejamento a longo prazo, uma experiência fora da companhia e a busca constante por desafios foram essenciais para sua ascensão.
Chinnock assumiu o cargo de CEO da divisão norte-americana em 2016. A Ducati, fundada na Itália em 1926 e pertencente ao Grupo Volkswagen, comemora seu centenário em 2024. No ano passado, a empresa vendeu aproximadamente 55 mil motocicletas em todo o mundo, faturamento que atingiu 1 bilhão de euros (cerca de US$ 1,173 bilhão).
Visão de três a cinco anos foi "coisa muito poderosa"
O primeiro pilar destacado por Chinnock é ter sempre uma visão clara do futuro profissional. "Sempre pensei de três a cinco anos à frente", afirmou o executivo. Ele considera essencial entender o objetivo a ser alcançado e visualizar onde se quer estar nesse perÃodo.
Segundo Chinnock, essa perspectiva serve como um guia para decisões importantes. "É uma coisa muito poderosa, porque sempre que você toma uma decisão que define a carreira, você se pergunta: 'Isso está me aproximando daquele objetivo? Está me colocando no caminho?'", explicou.
SaÃda estratégica para a Lamborghini ampliou horizontes
O segundo movimento crucial foi uma saÃda temporária da Ducati. Em 2013, Chinnock deixou a empresa por cerca de dois anos para ingressar na Lamborghini, fabricante italiana de carros esportivos de luxo, também do Grupo Volkswagen.
O objetivo era buscar novas experiências e entender como continuar inovando. "Se você é um fã ou entusiasta do que está fazendo, pode se tornar muito mÃope; você adota aquela abordagem de viseira de cavalo e não olha para fora das suas próprias quatro paredes", refletiu Chinnock sobre o risco de permanecer apenas em um ambiente.
A passagem pela Lamborghini, segundo ele, proporcionou experiência fora da indústria de motocicletas e o forçou a recomeçar do zero. "Todas as coisas que pensei ter conquistado ou desenvolvido ao longo dos anos em termos de relacionamentos, foi como apertar o botão de reset", disse. "Eu tive que começar de novo".
Rejeição ao comodismo e adaptação constante
O terceiro ponto é uma aversão pessoal à estagnação. Chinnock afirmou que não gosta de ficar parado em sua função e muda algo quando sente que está ficando muito confortável. "No segundo em que eu entendo tudo, eu preciso mudar. Preciso fazer outra coisa", declarou.
Sobre seu papel como CEO, cargo que ocupa há oito anos, ele disse que ainda não descobriu completamente tudo sobre a função e está constantemente aprendendo coisas novas como lÃder. Eventos imprevisÃveis, como a pandemia há cinco anos e as novas dinâmicas de tarifas no último ano, reforçam essa necessidade de adaptação.
"Então, quando digo que não descobri, significa que não há uma fórmula definida, que você pode configurar e esquecer. Você não pode colocar no piloto automático e nunca deveria", concluiu Chinnock.
Contexto do mercado e perfil da Ducati
A Ducati mantém seu posicionamento no segmento de motocicletas premium. Nos Estados Unidos, os modelos da marca custam mais de US$ 10 mil, com algumas versões ultrapassando US$ 40 mil. Chinnock, que se define como motociclista, mantém a paixão pelo produto: "É uma extensão de quem eu sou", afirmou.
A trajetória do executivo ilustra um caminho de crescimento interno que foi pontuado por experiências estratégicas externas, dentro do mesmo grupo empresarial, preparando-o para liderar uma das divisões mais importantes da centenária fabricante italiana.