Alex Karp, bilionário cofundador e CEO da empresa de tecnologia de defesa Palantir, fez uma declaração contundente sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na terça-feira (16). Em um painel conduzido por Larry Fink, CEO da BlackRock, Karp afirmou que a IA "destruirá empregos em humanidades".
O executivo, que possui uma sólida formação acadêmica em humanidades – com graduação em filosofia pela Haverford College, passagem pela Stanford Law School e doutorado em teoria social neoclássica na Alemanha – foi taxativo ao avaliar o futuro de trajetórias similares à sua. "Você foi para uma escola de elite e estudou filosofia – espero que você tenha alguma outra habilidade", disse Karp a Fink, argumentando que esse conjunto de habilidades será muito difícil de comercializar.
Demanda por habilidades técnicas e vocacionais
Karp explicou que, embora seja possível para profissionais de humanidades manterem um emprego após conquistá-lo, a maior demanda será por técnicos e pessoas com conjuntos de habilidades vocacionais. Ele citou como exemplo pessoas que constroem baterias para uma empresa do setor, descrevendo-as como "muito valiosas, se não insubstituíveis, porque podemos transformá-las em algo diferente do que eram muito rapidamente".
"Haverá empregos mais do que suficientes para os cidadãos da sua nação, especialmente aqueles com treinamento vocacional", completou o CEO da Palantir durante a discussão.
Visões divergentes em Davos sobre o futuro do trabalho
Nem todos os participantes do fórum global concordam com a avaliação de Karp. Executivos financeiros presentes em Davos disseram ao repórter Dan DeFrancesco, da Business Insider, que diplomas em artes liberais podem se tornar o novo produto de luxo. Conforme a IA assume mais análises financeiras complexas, está transformando o conjunto de habilidades que os executivos priorizam em jovens recrutas, colocando pensadores críticos e criativos de volta no centro das atenções.
Em outro painel realizado na terça-feira, Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, também comentaram sobre o impacto da IA nos empregos. Eles relataram que as contratações de nível básico em suas empresas já estão em declínio devido à inteligência artificial.
Amodei afirmou que funções de software e codificação na Anthropic diminuíram tanto nos níveis júnior quanto nos intermediários de sua empresa, sinalizando uma mudança na composição das equipes de tecnologia.
Contexto e trajetória do executivo
Alex Karp, de 56 anos, cofundou a Palantir Technologies em 2003 com Peter Thiel e outros. A empresa, conhecida por seu software de análise de dados usado por agências de inteligência e grandes corporações, teve um papel significativo no desenvolvimento e aplicação de tecnologias de big data e IA. A declaração de Karp em Davos reflete uma visão pragmática que contrasta com sua própria formação acadêmica nas humanidades, área que ele agora considera ameaçada pela ascensão das máquinas inteligentes.
O Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente na estação de esqui de Davos, na Suíça, reúne líderes globais dos setores público e privado para discutir os principais desafios mundiais. A edição deste ano tem a inteligência artificial como um dos temas centrais dos debates.