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As cinzas do astrônomo americano Clyde Tombaugh, descobridor de Plutão, estão viajando pelo espaço a bordo da sonda New Horizons da NASA. A nave, que realizou o primeiro sobrevoo do planeta anão em julho de 2015, carrega uma pequena cápsula com parte dos restos mortais de Tombaugh, que faleceu em 1997. A homenagem póstuma reconhece o trabalho do pesquisador que, em 1930, identificou o então nono planeta do Sistema Solar a partir de um observatório no Arizona.

Nascido em 1906, Tombaugh teve uma trajetória marcada por desafios antes da descoberta que o consagrou. Filho de agricultores no Kansas, ele abandonou temporariamente os estudos para ajudar a família após tempestades que destruíram plantações. Foi em 1924, ao ler uma revista de astronomia, que seu interesse pelo céu despertou, levando-o a construir telescópios artesanais com espelhos que ele mesmo polia.

Da fazenda ao Observatório Lowell

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Os desenhos detalhados de Júpiter e Marte feitos por Tombaugh com seus telescópios caseiros chamaram a atenção do Observatório Lowell, que lhe ofereceu um emprego em 1929. No ano seguinte, com apenas 24 anos, ele recebeu a missão de procurar o "Planeta X", um corpo celeste hipotético além da órbita de Netuno previsto pelo fundador do observatório, Percival Lowell.

Usando um astrógrafo de 330 milímetros e uma técnica de comparação de fotografias celestes tiradas em noites diferentes, Tombaugh identificou um ponto em movimento em 18 de fevereiro de 1930. Observações posteriores confirmaram que se tratava de um novo planeta, posteriormente batizado de Plutão.

A escolha do nome e a reclassificação

O nome Plutão foi sugerido por Venetia Burney, uma menina inglesa de 11 anos, em referência ao deus romano do submundo. A proposta, que também homenageava Percival Lowell com as iniciais "P" e "L", foi oficializada em 1º de maio de 1930.

Por mais de 70 anos, Plutão foi considerado o nono planeta. No entanto, a descoberta de outros objetos gelados no Cinturão de Kuiper, uma região além de Netuno, levou a União Astronômica Internacional a reclassificá-lo como planeta anão em 2006. A decisão, tomada quase uma década após a morte de Tombaugh, gerou debates, mas sua viúva, Patricia, afirmou que ele, como cientista, entenderia o avanço das evidências.

A jornada final da New Horizons

Lançada em 2006, a missão New Horizons foi a primeira a visitar Plutão. A bordo, uma cápsula de 47 milímetros de diâmetro contém parte das cinzas de Clyde Tombaugh. Uma placa fixada no recipiente homenageia o "descobridor de Plutão e da 'terceira zona' do Sistema Solar".

Após o histórico sobrevoo em 2015, que revelou imagens detalhadas da superfície de Plutão e de sua lua Caronte, a sonda seguiu viagem. Atualmente, ela continua sua jornada pelo Cinturão de Kuiper, a região de corpos gelados que o próprio trabalho de Tombaugh ajudou a revelar indiretamente.

Para o pesquisador Hal Levison, o verdadeiro legado de Tombaugh não foi apenas a descoberta de Plutão, mas ter ajudado a revelar a existência do vasto Cinturão de Kuiper. A sonda New Horizons, carregando suas cinzas, agora explora essa mesma fronteira distante que ele ajudou a mapear para a humanidade.