Imagine trabalhar em uma empresa que acaba de levantar US$ 425 milhões e ver seu valor de mercado ultrapassar a marca de US$ 6 bilhões. Agora, imagine ser demitido cinco meses depois. Este é o cenário chocante que se desenrolou na Redwood Materials, a gigante da reciclagem de baterias fundada por JB Straubel, ex-CTO da Tesla.
A empresa dispensou aproximadamente 135 funcionários nesta semana, o que representa cerca de 10% de sua força de trabalho. O mais surpreendente? Este é o segundo corte massivo em menos de meio ano, após uma demissão de 5% da equipe no final do ano passado. O que está acontecendo por trás das portas fechadas de uma das startups mais promissoras do setor de energia limpa?
O e-mail interno que revela a estratégia de sobrevivência
Em uma mensagem obtida pela TechCrunch, o CEO JB Straubel tentou acalmar os ânimos dos funcionários remanescentes. Ele afirmou que a Redwood "nunca esteve tão forte" e que seu negócio de materiais está "bem no caminho da lucratividade". Mas a justificativa para os cortes veio em seguida: "partes da empresa se expandiram mais rápido do que o necessário".
Segundo um funcionário que pediu anonimato, os cortes atingiram múltiplas divisões, incluindo as áreas de engenharia e operações. Straubel foi direto: "Estamos confiantes de que podemos entregar nossos projetos críticos com uma equipe menor e mais focada".
Um setor em crise enquanto uma empresa busca dominar
O timing não poderia ser mais revelador. A demissão em massa na Redwood ocorre no mesmo mês em que a concorrente Ascend Elements entrou com pedido de falência, citando desafios financeiros "insuperáveis". Enquanto rivals sucumbem, Straubel posiciona a Redwood como uma sobrevivente. "Nos adaptamos com sucesso às mudanças do mercado que levaram à falência muitos de nossos concorrentes", escreveu ele no e-mail.
A estratégia agora é clara: afunilar os esforços para impulsionar o novo braço de armazenamento de energia da empresa. Recentemente, a Redwood fechou acordos com a Crusoe AI e, mais significativamente, com a montadora elétrica Rivian, para fornecer baterias recicladas que alimentarão as instalações dessas companhias.
O custo humano por trás do "foco" corporativo
Em um e-mail separado, a diretora de RH da Redwood disse aos funcionários demitidos que a medida foi tomada para "aguçar nosso foco, nosso trabalho e o tamanho de nossas equipes". Os afetados receberão pacote de indenização, benefícios de saúde pagos e assistência para transição de carreira.
Straubel encerrou sua mensagem com um agradecimento melancólico: "Sou grato aos aproximadamente 135 funcionários que dizemos adeus hoje — todos contribuíram para construir a Redwood". Uma frase que ecoa nos corredores de uma indústria que promete um futuro sustentável, mas que no presente mostra suas contradições mais duras.
O setor de baterias e veículos elétricos nos EUA vive um momento de recalibragem, com montadoras revisando planos ambiciosos. Neste cenário, a Redwood Materials aposta que uma equipe enxuta e hiperfocada em armazenamento de energia é a chave não apenas para sobreviver, mas para dominar. O caminho até lá, no entanto, está sendo pavimentado com escolhas difíceis que deixam marcas profundas na vida de centenas de profissionais.