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Você já perdeu a conta de quantas horas passou rolando a tela do celular sem propósito, preso em um ciclo infinito de vídeos curtos e memes? Essa sensação de esgotamento digital tem um nome: "doomscrolling". E é exatamente nela que uma nova rede social, lançada nesta terça-feira, aposta para conquistar usuários cansados das plataformas tradicionais.

Chamada Bond, a rede tem um objetivo audacioso e quase paradoxal: usar a inteligência artificial não para prender você por mais tempo, mas para te dar um empurrãozinho e te colocar de volta no mundo real. O segredo? Transformar suas memórias digitais em sugestões palpáveis para a sua vida offline.

Do feed para a rua: como a IA da Bond funciona

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A mecânica parece familiar a princípio. Os usuários postam "memórias" — fotos, vídeos, áudios — sobre o que estão vivendo. A diferença começa aí. Em vez de alimentar um feed viciante, esses registros viram combustível para um sistema de IA que aprende com seus gostos.

O resultado é uma lista de recomendações hiperpersonalizadas para o que fazer em seguida. Postou várias vezes sobre como sente falta de um bom pho? A Bond pode indicar o restaurante vietnamita mais bem avaliado perto de você. É fã de heavy metal? Ela te avisa que o Iron Maiden vai passar pela sua cidade na próxima semana.

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"Quanto mais você posta sobre suas experiências, mais o sistema pode te alimentar com recomendações melhores", explica Dino Becirovic, cofundador e CEO da Bond. A promessa é clara: a plataforma é projetada para te tirar do aplicativo e te colocar de volta no mundo real, longe do "bed rotting" (apodrecer na cama) e do vício em telas.

Sem anúncios? Então como essa rede vai ganhar dinheiro?

Aqui está a virada mais polêmica e reveladora do modelo de negócios. Enquanto gigantes como Meta e TikTok dependem maciçamente de publicidade, a Bond não tem anúncios. O plano de Becirovic para o futuro é tão ousado quanto a proposta do app: devolver o controle (e o lucro) dos dados para as mãos dos usuários.

Ele imagina um cenário em que as pessoas poderão licenciar suas próprias memórias armazenadas na Bond para empresas que queiram usar essas informações para treinar modelos de IA. A plataforma ficaria com uma pequena taxa de licenciamento. "A ideia por trás desse modelo é que você pode monetizar suas memórias", disse ele ao TechCrunch.

Em outra frente, os dados acumulados poderiam ser usados como uma ferramenta de recomendação de produtos integrada a sites de e-commerce, com a Bond recebendo uma parte do valor da transação. Becirovic, no entanto, é categórico: a empresa nunca venderia dados de usuários para fins publicitários.

O futuro dos seus dados e a busca por ser "cool"

Questões de privacidade e segurança, é claro, surgem imediatamente. Becirovic afirma que a criptografia de ponta-a-ponta (E2EE) é uma "prioridade no futuro próximo". Por enquanto, garante que todos os dados dos usuários são armazenados com segurança e protegidos. Os usuários podem deletar memórias ou seus perfis a qualquer momento.

No curto prazo, porém, a monetização não é o foco. "Nossa prioridade inicial é criar um aplicativo do qual os usuários obtenham mais valor quanto mais registram suas memórias", afirma o CEO. A missão agora é fazer a Bond ser percebida como uma plataforma valiosa e, acima de tudo, interessante — um antídoto digital para o cansaço digital que ela mesma pretende combater.