Uber queimou orçamento de 2026 em IA só em abril: entenda por que sua empresa pode ser a próxima

Uber queimou orçamento de 2026 em IA só em abril: entenda por que sua empresa pode ser a próxima

Gigantes da tecnologia estão estourando orçamentos de tokens de IA em meses, não em anos. A crise já começou.

Você lembra quando a inteligência artificial era uma promessa de futuro? Pois o futuro chegou, e a conta está chegando junto — com juros e correção monetária. A Uber, por exemplo, queimou todo o orçamento de codificação com IA que havia planejado para 2026 em apenas um mês: abril. Sim, você leu certo. Abril de 2025.

E a Uber não está sozinha. A Microsoft revogou licenças do Claude Code para seus desenvolvedores meses depois de liberá-las. Um funcionário da Priceline revelou ao TechCrunch que a renovação de um contrato de rotina com o Cursor veio 4 a 5 vezes mais cara. O que está acontecendo?

O êxtase e a agonia dos tokens de IA

Durante o primeiro trimestre de 2025, as empresas se jogaram de cabeça na IA. Assinaturas "all-you-can-eat" foram liberadas, CEOs exigiram que suas equipes usassem os melhores modelos — custos, que se danassem. O resultado? Uma ressaca orçamentária sem precedentes.

"Em abril e maio, comecei a ouvir de empresas: 'Meu Deus, estamos 3 vezes acima do orçamento de tokens para 2026 inteiro e ainda estamos em abril'", contou J.R. Storment, diretor executivo da FinOps Foundation, ao TechCrunch. "Começamos a ouvir crises existenciais. A conversa mudou completamente de 'vamos acelerar' para 'precisamos de barreiras de contenção, como controlar isso?'"

O dilema do CTO: herói ou vilão?

Vitaly Gordon, CEO da Faros AI, contou que conversou recentemente com um CTO que lhe disse: "Um dos meus engenheiros gastou US$ 40 mil em tokens no mês passado, e eu genuinamente não sei se devo pará-lo ou se devo dizer a todos os outros para serem como ele."

Esse é o cerne do problema. Uma pesquisa da Faros AI em março, com 20 mil desenvolvedores, mostrou que a produtividade aumentou — mas os bugs e as reescritas também. A Jellyfish, plataforma de gestão de engenharia, descobriu que os engenheiros que mais usavam tokens eram cerca de duas vezes mais produtivos, mas gastavam 10 vezes mais tokens para chegar lá.

O consumo por desenvolvedor disparou 18,6 vezes em apenas nove meses, segundo Nicholas Arcolano, chefe de pesquisa da Jellyfish. "Se o gasto extremo compensa ou não depende do valor comercial final do código (como receita), que a maioria das empresas ainda não consegue medir", disse Arcolano.

Um mercado bilionário (e desesperado) está nascendo

Diante do caos, um novo mercado está se formando. Startups, fornecedores estabelecidos e até um novo órgão de padronização estão correndo para dar às empresas as ferramentas para rastrear o que gastam.

A Linux Foundation anunciou planos para a Tokenomics Foundation, um novo corpo de padrões que visa instilar a mesma disciplina de custos em torno de tokens de IA que o FinOps fez para gastos em nuvem. "Rastrear custos de nuvem é um problema de dados de centenas de milhões de linhas por mês", explicou Storment. "Rastrear custos de tokens é um problema de trilhões de linhas por mês. Você não pode simplesmente jogar isso em uma planilha."

Empresas como Pay-i, Paid, Jellyfish, Waydev e Faros AI já estão na briga. Até gigantes como Datadog, New Relic e Ramp estão adicionando recursos de gestão de gastos com IA. A AWS deve apresentar novas funcionalidades de gestão financeira focadas em IA na conferência FinOps X na próxima semana.

O paralelo assustador com a bolha das telecomunicações

Chris Reed, diretor sênior de finanças de TI da Priceline, faz uma analogia preocupante. "Comecei minha carreira em gestão de despesas de telecomunicações e estou vendo todos os mesmos paralelos, de telecom para nuvem e agora para IA", disse ele. "Sempre que você introduz algo novo, ele está maduro para erros de faturamento, auditoria e oportunidades de otimização."

Ele compara o momento atual ao vício: "É como a epidemia do crack. Eles deixam você experimentar para te viciar, e agora você fica refém."

Para Reed, a semelhança com o início dos serviços de nuvem é gritante. "Anytime you introduce something new, it’s ripe for billing errors and audit and optimization opportunities", completa, ecoando um sentimento que já custou bilhões a empresas desavisadas no passado.

O que fazer agora? A resposta pode estar no meio-termo

Segundo Arcolano, da Jellyfish, a jogada mais inteligente não é nem cortar tudo nem liberar geral. "O melhor ROI vem de mover a grande maioria de um uso baixo para um uso moderado, não de empurrar os usuários pesados para ainda mais alto."

Em outras palavras: não precisa ter medo da IA, mas também não dá para sair distribuindo senhas de cartão de crédito. A disciplina de custos, que parecia coisa do passado na era do "crescer a qualquer custo", voltou com força total. E quem não se adaptar pode acabar com um orçamento estourado — e um CTO sem saber se deve dar um prêmio ou uma demissão para o funcionário do mês.

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