Publicidade

O fundador da Oculus, Palmer Luckey, afirmou que os recentes cortes de mais de mil empregos na divisão de realidade virtual da Meta, a Reality Labs, não significam um recuo da empresa no setor. Em uma série de publicações na rede social X nesta segunda-feira, Luckey argumentou que as demissões, que atingiram entre 10% e 15% dos aproximadamente 15.000 funcionários da unidade, corrigem um problema mais profundo na indústria.

Segundo Luckey, a Meta ainda mantém a maior força de trabalho em realidade virtual do mundo, superando concorrentes "por cerca de uma ordem de grandeza". Ele enquadrou os cortes numericamente como "seis meses de rotatividade normal concentrados em 60 dias".

Foco nas demissões em estúdios internos

Publicidade

A mudança mais consequente, de acordo com o empresário, está no perfil dos cargos eliminados. Luckey disse que a maioria das funções cortadas estava vinculada a conteúdo de primeira parte — estúdios internos da Meta que desenvolviam jogos em realidade virtual para a plataforma da empresa.

"A Meta subsidiar fortemente seus próprios [jogos] (com dinheiro, marketing, posicionamento, etc.) em detrimento do progresso técnico central e da estabilidade da plataforma não faz sentido", escreveu Luckey. "Crowding out [expulsando] o resto de todo o ecossistema, ainda menos."

Desequilíbrio para desenvolvedores independentes

Luckey explicou que desenvolvedores terceiros — mesmo estúdios eficientes e bem administrados — lutavam para competir com as equipes próprias da Meta, que contavam com orçamentos muito superiores ao que o mercado poderia retornar realisticamente. A ironia, acrescentou, é que críticas positivas e execução polida dos jogos internos só pioravam o desequilíbrio, desviando atenção e vendas dos criadores independentes.

"As pessoas vão apontar que essas equipes fizeram um trabalho incrível e receberam críticas incríveis de críticos e clientes — sim, e por mais fodido que seja, isso torna o problema ainda pior!", afirmou.

Retorno à filosofia original da Oculus

Em um ambiente com restrições de capital, Luckey defendeu que os recursos da Meta são melhor gastos em tecnologia central e estabilidade da plataforma do que competindo diretamente com os desenvolvedores de quem a empresa precisa para manter a realidade virtual viável. Ele também enquadrou a movimentação como um retorno à filosofia original da Oculus.

Internamente, disse ele, a empresa visava "NÃO ser a Nintendo" — evitando um modelo fechado e dominado por conteúdo próprio em favor da construção de um ecossistema do qual outros pudessem lucrar.

Luckey reconheceu o custo humano das demissões e disse sentir "muito pelas pessoas impactadas". Ainda assim, afirmou que reduzir o conteúdo de primeira parte é, em última análise, "uma coisa boa para a saúde de longo prazo da indústria", mesmo que seja desconfortável no curto prazo.