A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado recebeu dados da Receita Federal que apontam o pagamento de R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. As transferências foram realizadas pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre os anos de 2024 e 2025.
As informações foram enviadas à CPI como parte das investigações da comissão. O valor, equivalente a um prêmio acumulado da Mega-Sena, chamou a atenção pelo seu montante e pela relação com a cúpula do Judiciário brasileiro.
Contexto salarial e cálculo de poupança
O teto máximo da remuneração no serviço público federal é de R$ 46.366,19, valor recebido mensalmente pelos ministros do STF. Para um servidor público que recebesse exclusivamente esse salário e não gastasse nenhum centavo, levaria 144 anos para acumular R$ 80 milhões.
Em um cenário mais realista, direcionando 30% da remuneração para uma aplicação com as melhores taxas do mercado, o prazo para juntar a mesma quantia se estenderia para 480 anos. "Essa conta simplista serve para mostrar o quanto é difícil para um servidor público no topo da carreira do funcionalismo federal ou até mesmo para um profissional qualificado da iniciativa privada, poupar um dinheiro desse tamanho", analisa o colunista.
Trajetória profissional e questionamentos
O ministro Alexandre de Moraes só é citado no caso em razão dos dados enviados à CPI. A reportagem do iG, assinada pelo colunista Helcio Zolini, levanta a questão sobre a origem de patrimônios milionários. "A não ser que antes de ingressar no serviço público, ele já fosse dono de um patrimônio na casa dos milhões de reais, originário de sua família, ou ter obtido lucros milionários com negócios particulares, também anteriores à sua opção para se dedicar ao Estado brasileiro", pontua o texto.
O colunista comenta que, com o "atalho" apresentado pelo caso, "ninguém pode duvidar que, sim, é possível acumular R$ 80 milhões em muito menos tempo, sem gastar nada e oferecendo tão somente serviços de advocacia". A reportagem menciona que os serviços prestados pelo escritório são, "pelo que se lê na imprensa, aqui e ali, no mínimo questionáveis".
Próximos passos da investigação
As informações agora estão sob análise dos parlamentares que compõem a CPI do Crime Organizado. A comissão tem poder de investigação para requisitar documentos e ouvir depoimentos. O desdobramento do caso e a possível convocação de envolvidos para prestar esclarecimentos dependerão do andamento dos trabalhos e da deliberação dos integrantes da CPI.