O crescimento da economia dos Estados Unidos desacelerou mais do que o projetado no último trimestre de 2025. De acordo com dados divulgados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), o Produto Interno Bruto (PIB) real, que desconta os efeitos da inflação, cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no quarto trimestre. O resultado ficou abaixo da expectativa de analistas, que era de 2,8%, e representa uma forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,4% registrado no terceiro trimestre do mesmo ano.
Apesar da desaceleração, o desempenho indica que a economia encerrou o ano com certa força, em um período marcado por incertezas e diversas mudanças de política. Para o ano de 2025 como um todo, o PIB real cresceu 2,2%, abaixo dos 2,8% registrados em 2024.
Consumo e investimento sustentam, mas gastos públicos caem
Segundo o BEA, os principais contribuintes para o aumento do PIB real no quarto trimestre foram o gasto do consumidor e o investimento. "Esses movimentos foram parcialmente compensados por quedas nos gastos do governo e nas exportações", afirmou o órgão em comunicado.
O consumo das famílias, principal motor da economia americana, cresceu 2,4% no período, uma desaceleração em relação ao crescimento de 3,5% observado no trimestre anterior. Já o investimento fixo apresentou recuperação, subindo 2,6% no quarto trimestre, contra um aumento de apenas 0,8% no terceiro trimestre.
Em contrapartida, os gastos federais tiveram uma queda acentuada de 16,6% no último trimestre do ano, após um crescimento de 2,7% no trimestre anterior. A forte retração está provavelmente ligada ao longo shutdown (paralisação) do governo federal que ocorreu em outubro e novembro de 2025, considerado o mais longo da história do país.
Perspectivas para 2026 e cenário atual
Analistas mantêm expectativas positivas para o ano em curso. "Esperamos um ano forte de crescimento econômico em 2026, impulsionado pelo investimento das empresas, gastos do consumidor e o desaparecimento dos ventos contrários do comércio", afirmou Rick Gardner, diretor de investimentos da RGA Investments.
Outros dados recentes mostram um cenário misto. O mercado de trabalho, que vinha perdendo força nos últimos anos e registrou em 2025 a menor criação de empregos em mais de duas décadas fora de períodos de recessão, teve um bom início em 2026, com queda no desemprego e mais postos de trabalho criados do que o esperado.
No front da inflação, os índices se aproximam da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 2,4% em janeiro na comparação anual, abaixo dos 2,7% registrados anteriormente. As vendas no varejo e em serviços de alimentação ficaram praticamente estáveis em dezembro na comparação com novembro, mas em patamar superior ao de um ano atrás.