Departamento de Justiça dos EUA libera 30 mil páginas sobre caso Epstein
Documentos incluem menções a Donald Trump e citam dez cúmplices não revelados do financista.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na terça-feira (23) um lote de cerca de 30 mil páginas de documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. Os arquivos, os mais extensos já tornados públicos, incluem menções ao ex-presidente Donald Trump e citam dez cúmplices do criminoso cujas identidades não foram reveladas.
A divulgação ocorre após a aprovação de uma lei sancionada por Trump em 19 de novembro, que deu um prazo de 30 dias para a publicação de todos os registros não classificados sobre o caso. O Departamento de Justiça afirmou que os documentos foram liberados "com as proteções legalmente exigidas para as vítimas de Epstein".
Menções a Trump e alegações "falsas"
Em comunicado, o Departamento de Justiça reconheceu que há diversas referências a Donald Trump nos arquivos, mas destacou que algumas contêm "alegações falsas e sensacionalistas" enviadas ao FBI pouco antes da eleição de 2020. A autoridade afirmou que essas acusações não teriam sido usadas anteriormente por falta de credibilidade.
Entre os documentos está um e-mail de janeiro de 2020 de um procurador federal de Nova York, que cita registros de voo indicando que Trump teria viajado no jato particular de Epstein ao menos oito vezes entre 1993 e 1996. Em um dos voos de 1993, apenas Trump e Epstein aparecem listados como passageiros.
Dez cúmplices e uma carta falsa
Outro documento mostra procuradores federais discutindo, em troca de e-mails, a existência de "dez cúmplices" de Epstein. As identidades não são reveladas, sendo uma das pessoas descrita apenas como um "empresário rico de Ohio". Um memorando do Departamento de Justiça de julho afirmou que não foram encontradas provas suficientes para acusar outras pessoas além de Ghislaine Maxwell.
O lote também incluiu um bilhete assinado como "J. Epstein" e endereçado a Larry Nassar, ex-médico esportivo condenado por abusos sexuais. Menos de duas horas após a divulgação, o FBI confirmou que a carta era falsa, apontando que a caligrafia não correspondia à de Epstein e que o carimbo postal era da Virgínia, e não de Nova York, onde ele estava preso.
Contexto e próximos passos
Ghislaine Maxwell, apontada como principal cúmplice de Epstein, foi considerada culpada em dezembro de 2021 e condenada a 20 anos de prisão. Até o momento, ela é a única pessoa responsabilizada criminalmente em conexão com o financista.
Os arquivos divulgados incluem denúncias anônimas e não verificadas enviadas ao FBI. Donald Trump negou qualquer irregularidade e afirmou ter rompido relações com Epstein no início dos anos 2000. Uma análise da NBC News confirmou que cerca de 30 mil páginas foram divulgadas neste lote, após uma liberação inicial de menos de 10 mil documentos.
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