A disputa judicial pela herança do médico aposentado Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, tio de Suzane e Andreas von Richthofen, ganha novos desdobramentos com alegações de furto e uma ação por reconhecimento de união estável. O patrimônio, avaliado em quase R$ 5 milhões, está no centro do conflito entre a sobrinha Suzane von Richthofen e a prima Silvia Magnani.
Miguel Abdalla Netto foi encontrado morto em sua residência, na Zona Sul de São Paulo, em janeiro de 2026. Ele não tinha cônjuge, filhos ou pais vivos. Silvia Magnani alega ter sido companheira do primo por mais de uma década e busca na Justiça o reconhecimento dessa união estável para ter direito à herança.
Furto na residência e retirada de veículo
Onze dias após a morte do médico, sua casa foi alvo de um furto. Silvia Magnani registrou o boletim de ocorrência, descrevendo que o imóvel foi "saqueado" no dia 20 de janeiro, com a retirada de todos os eletrodomésticos, mobília e do carro da vítima, avaliado em R$ 250 mil.
Diante das investigações, Suzane von Richthofen admitiu ter levado o veículo que pertencia ao tio. Em nota enviada ao iG por meio de suas advogadas, Débora Cristina Vaccari e Marielli Helena Arruda, Silvia Magnani manifestou "profunda indignação" com os episódios de saques e a subtração do carro sem autorização judicial.
Posicionamento da prima e questão da indignidade
Sem citar diretamente Suzane, Silvia Magnani defendeu que o inventário seja conduzido "por uma pessoa idônea, responsável e comprometida com a legalidade, capaz de proteger o legado de Miguel". Ela afirmou ter sido responsável por todos os trâmites do sepultamento e colaborado integralmente com as autoridades.
A situação é complexa devido ao histórico familiar. Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, abriu mão da herança do tio. Já Suzane, embora tenha sido declarada indigna de herdar os bens dos próprios pais por participação no homicídio deles em 2002, teria direito à herança de Miguel, pois a exclusão por indignidade não se estende automaticamente a outros parentes.
Curiosamente, foi o próprio Miguel Abdalla Netto quem obteve na Justiça a decisão que declarou a sobrinha indigna de herdar os bens da família Richthofen, avaliados na época em cerca de R$ 10 milhões.
Ordem sucessória e próximos passos
Na ausência de herdeiros diretos (descendentes, ascendentes ou cônjuge), os bens são destinados aos parentes colaterais até o quarto grau. Dentro dessa classe, os irmãos têm preferência. Como a única irmã de Miguel já faleceu, o direito de representação permite que seus filhos (Suzane e Andreas) ocupem o lugar da mãe na partilha.
Além de imóveis, o médico aposentado deixou aplicações financeiras. Silvia Magnani afirmou, em nota, ter "total confiança no Poder Judiciário" para que o inventário e a preservação do patrimônio ocorram de forma justa. A família aguarda o avanço das investigações policiais sobre a morte e os furtos.