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Elon Musk, CEO da SpaceX e da xAI, anunciou nesta semana um plano visionário para construir uma base na Lua dedicada à fabricação em massa de supercomputadores de inteligência artificial. A proposta foi apresentada em uma reunião geral da xAI, após a fusão da empresa com a SpaceX, e representa uma mudança significativa no foco narrativo de longo prazo do bilionário, que antes priorizava a colonização de Marte.

O objetivo declarado é criar uma infraestrutura capaz de capturar "talvez até alguns por cento da energia do sol" para treinar e operar modelos de IA em uma escala sem precedentes. "É difícil imaginar o que uma inteligência dessa escala pensaria", disse Musk aos funcionários, "mas vai ser incrivelmente emocionante ver isso acontecer".

Sinergia entre foguetes e inteligência artificial

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A fusão entre a xAI e a SpaceX criou a base para essa nova visão. Musk descreveu a sinergia primária como a construção de data centers de IA em órbita terrestre. No entanto, ele levou a ideia além, questionando: "E se você quiser ir além de um mero terawatt por ano? Para fazer isso, você tem que ir à lua... Eu realmente quero ver um 'mass driver' (acelerador magnético) na Lua que esteja lançando satélites de IA no espaço profundo".

O conceito envolve uma cidade autossustentável no satélite natural da Terra para fabricar os computadores espaciais e, em seguida, lançá-los ao sistema solar usando uma grande ferrovia de levitação magnética.

Mudança de narrativa: de Marte para a Escala de Kardashev

A proposta da "Moonbase Alpha" surge em um momento de mudança estratégica. A SpaceX recuou publicamente de seu objetivo de longa data de colonizar Marte. Agora, Musk adotou a Escala de Kardashev – uma medida teórica de civilizações galácticas criada pelo astrônomo soviético Nikolai Kardashev na década de 1960 – como nova metáfora de futuro.

A escala mede o uso de energia, onde civilizações avançadas capturam a energia de sua estrela. Com a base lunar, Musk vislumbra dar esse salto. Por nove anos, a visão marciana foi uma ferramenta eficaz de recrutamento para a SpaceX, simbolizada por camisetas com o slogan "Occupy Mars". A nova narrativa lunar busca cativar engenheiros em um cenário onde a IA é o tema central.

Desafios técnicos e econômicos monumentais

Especialistas apontam que a realização do plano exigiria que outros sonhos de Musk se tornassem realidade primeiro. Embora startups e cientistas já experimentem a fabricação de chips no espaço, a produção em massa de toneladas de computadores avançados na Lua pressupõe um universo onde chegar ao espaço seja dramaticamente mais barato.

Além do desafio tecnológico, há a questão econômica. Planos anteriores da SpaceX para Marte foram abandonados ou remodelados quando os custos se tornaram proibitivos e não houve quem pagasse pela missão. Atualmente, as capacidades da nave Starship estão focadas em tarefas mais remunerativas: lançar satélites para a rede Starlink e cumprir contratos de US$ 4 bilhões com a NASA para levar astronautas à Lua.

Um "stretch goal" para capturar a imaginação

Analistas veem o anúncio como um objetivo ambicioso ("stretch goal") destinado a gerar entusiasmo. A ideia pode servir para diferenciar a xAI no mercado competitivo de IA, onde, nas palavras de um executivo que deixou a empresa, "todos os laboratórios de IA estão construindo exatamente a mesma coisa, e é chato".

Produzir um supercomputador de escala solar na Lua é, nas palavras da própria reportagem de referência, "muitas coisas... mas não é exatamente a mesma coisa, e não é chato". A visão busca atrair tanto investidores quanto os talentos de engenharia necessários para impulsionar as empresas de Musk em sua próxima fase.