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A indústria de inteligência artificial está se mobilizando politicamente nos Estados Unidos, com a formação de grupos de pressão milionários que prometem influenciar as eleições de meio de mandato de 2026. De um lado, redes pró-IA financiadas por elites do Vale do Silício; do outro, um grupo recém-criado para defender uma abordagem regulatória mais rígida sobre a tecnologia.

O movimento ocorre em um momento de divergência política sobre o futuro da IA. Enquanto a administração do ex-presidente Donald Trump adotou uma postura favorável ao setor, outros políticos defendem desde uma moratória nacional para novos data centers de IA até o uso da tecnologia em suas próprias campanhas.

Leading the Future: a rede pró-IA com US$ 50 milhões

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O maior grupo identificado até o momento é o Leading the Future, uma rede de super PACs (Comitês de Ação Política) associada a figuras de destaque de Silicon Valley. Seu principal comitê já arrecadou pouco mais de US$ 50 milhões até o final de 2025, conforme registros da Comissão Eleitoral Federal (FEC).

Em um extenso post na rede X no fim do ano passado, um de seus apoiadores, Brockman, detalhou a filosofia do grupo: "ser pró-IA não significa ser contra a regulação". A rede opera em duas frentes partidárias: o Think Big, focado em eleições democratas, e o American Mission, voltado para republicanos.

Grandes nomes do investimento em tecnologia já contribuíram. O fundador da SV Angel, Ron Conway, doou US$ 500 mil ao Think Big, enquanto Joe Lonsdale, da 8VC, destinou US$ 250 mil ao American Mission. Em comunicado de agosto, o grupo se definiu como o "centro político e de políticas da indústria de IA", com o objetivo de apoiar candidatos alinhados com a agenda pró-IA e se opor àqueles que não estão.

Ação política já em curso

A rede Leading the Future já começou a gastar seus recursos. O Think Big investiu mais de US$ 900 mil para se opor ao deputado estadual Alex Bores na primária democrata pelo 12º distrito congressional de Nova York. Já o American Mission aplicou mais de US$ 500 mil para apoiar o candidato republicano Chris Gober no 10º distrito congressional do Texas.

Public First: a resposta regulatória com apoio da Anthropic

Em resposta à formação do Leading the Future, dois ex-congressistas — o republicano Chris Stewart, de Utah, e o democrata Brad Carson, de Oklahoma — criaram a rede concorrente Public First. Seu objetivo é apoiar candidatos que defendam a regulação da inteligência artificial.

A meta de arrecadação do grupo é de US$ 50 milhões, valor inferior ao dos grupos pró-IA. No entanto, Carson expressou confiança ao Business Insider, citando que a opinião pública americana é amplamente favorável à regulação da IA. "Nós temos US$ 50 milhões e 85% do sentimento público. Eles têm 15% do sentimento público e US$ 100 milhões. Eu aceito essa aposta qualquer dia", afirmou.

O Public First recebeu um impulso significativo com uma doação de US$ 20 milhões da empresa de IA Anthropic. Em comunicado, a Anthropic justificou a contribuição, afirmando que "no momento, há poucos esforços organizados para mobilizar pessoas e políticos que entendem o que está em jogo no desenvolvimento da IA", enquanto "vastos recursos têm fluído para organizações políticas que se opõem a esses esforços".

A rede possui dois super PACs afiliados: o Jobs and Democracy PAC (para democratas) e o Defending Our Values PAC (para republicanos). Nenhum dos dois realizou gastos eleitorais significativos até agora.

Meta também entra no jogo com foco estadual

A Meta, controladora do Facebook, também estabeleceu dois PACs no ano passado para apoiar candidatos alinhados com sua visão para a regulação da IA. Diferente dos outros grupos, o foco da Meta será principalmente no nível estadual.

Um dos comitês, chamado Mobilizing Economic Transformation Across (Meta) California, é voltado especificamente para a Califórnia, sede da empresa. Um porta-voz da Meta afirmou que o ambiente regulatório de Sacramento "poderia sufocar a inovação, bloquear o progresso da IA e colocar a liderança tecnológica da Califórnia em risco". A Meta destinou US$ 20 milhões para este PAC em agosto.

Um PAC separado, o American Technology Excellence Project, focará em disputas em outros estados. Brian Rice, vice-presidente de Políticas Públicas da Meta, alertou para um "crescente mosaico de regulamentações inconsistentes que ameaçam a inovação doméstica e os investimentos em IA". Segundo a POLITICO, este PAC foi capitalizado com US$ 45 milhões. Nenhum dos PACs da Meta realizou grandes gastos até o momento.