Você já imaginou sentar cara a cara com um ex-presidente dos Estados Unidos e, em vez de pedir favores, passar uma hora inteira alertando sobre o perigo de uma tecnologia que ainda engatinhava? Pois foi exatamente isso que Elon Musk fez em 2015, em uma reunião a sós com Barack Obama.
O depoimento, prestado nesta terça-feira em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, jogou uma bomba no centro do julgamento que opõe o bilionário contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman. E o que está em jogo? Nada menos que o futuro da inteligência artificial e US$ 100 bilhões em danos.
O alerta que ninguém quis ouvir
Musk contou aos nove jurados que, em um encontro particular com Obama, gastou todo o tempo tentando convencê-lo dos riscos existenciais da IA. Na época, segundo ele, “ninguém estava realmente usando” a tecnologia. Mas o pior ainda estava por vir.
O CEO da Tesla e da SpaceX revelou que Larry Page, então CEO do Google, o chamou de “especista” por defender a humanidade acima das máquinas. “Larry Page se recusou a falar comigo para sempre depois disso”, afirmou Musk, deixando claro o rompimento definitivo entre os dois gigantes da tecnologia.
O verdadeiro motivo por trás da criação da OpenAI
Foi exatamente essa indiferença do Google com a segurança da IA que levou Musk a cofundar a OpenAI em 2015. “Eu pensei que era extremamente importante ter um contrapeso ao Google”, disse ele. “O Google não parecia se importar com a segurança da IA naquela época.”
Agora, o bilionário alega que a empresa que ajudou a criar se tornou exatamente aquilo que ele temia: uma “górgona paralisante do mercado”, nas palavras da ação judicial, que se transformou em uma subsidiária da Microsoft.
O dinheiro e a traição que abalaram o Vale do Silício
No centro da disputa está a acusação de que Altman e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, enganaram Musk para que ele doasse US$ 38 milhões para a missão original da empresa: desenvolver IA para o benefício público, sem fins lucrativos.
Musk argumenta que, se perder a causa, o impacto será devastador. “Isso se tornará um precedente e dará licença para saquear todas as instituições de caridade da América”, alertou, em um tom dramático que ecoou pelo tribunal.
Uma IA como uma criança superdotada e perigosa
Durante o depoimento, Musk usou uma metáfora poderosa para explicar seus temores: comparou a inteligência artificial a “uma criança muito inteligente” que pode “explodir” e sair do controle se ninguém incutir os valores certos nela. “Essa tem sido minha preocupação de longa data sobre IA: o que acontece quando o computador fica muito mais inteligente que os humanos?”, questionou.
O julgamento, que deve durar cerca de três semanas, coloca frente a frente dois dos nomes mais poderosos da tecnologia. Enquanto Musk pede que Altman e Brockman sejam afastados de seus cargos e que todos os lucros obtidos com as operações com fins lucrativos da OpenAI sejam devolvidos, a empresa ré classifica o processo como “uma tentativa ciumenta e infundada de atrapalhar um concorrente”.
O desfecho pode não apenas definir o futuro da OpenAI, avaliada em US$ 850 bilhões, mas também estabelecer um precedente que vai ecoar por décadas no mundo dos negócios e da filantropia. E você, de que lado está nessa batalha de bilionários?