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Um estudo de longo prazo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) descobriu que um tipo específico de treinamento cerebral pode reduzir significativamente o risco de desenvolver demência. A pesquisa, conduzida ao longo de 20 anos com 2.000 participantes com 65 anos ou mais, revelou que aqueles que praticaram um jogo de velocidade de processamento tiveram um risco 29% menor de demência em comparação com o grupo de controle.

O estudo, conhecido como ACTIVE (Advanced Cognitive Training for Independent and Vital Elderly), é o maior do gênero no mundo. Os participantes foram divididos aleatoriamente em quatro grupos: um de controle e três grupos ativos que praticavam diferentes tipos de jogos cognitivos. Apenas o grupo que realizou o "treinamento de velocidade de processamento" mostrou benefícios significativos e duradouros para a saúde cerebral.

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A neurologista Marilyn Albert, diretora da divisão de neurociência cognitiva da Escola de Medicina Johns Hopkins e uma das pesquisadoras, classificou o resultado como "surpreendente". "É um resultado impressionante. Absolutamente me fez pensar que tenho que entrar online e fazer o treinamento", disse ela ao Business Insider.

O jogo que fez a diferença

O treinamento eficaz está disponível online através da plataforma BrainHQ, da empresa Posit Science. Entre mais de duas dezenas de jogos oferecidos, apenas um foi incluído no estudo: o "Double Decision". Este jogo exige que os usuários identifiquem rapidamente um objeto central enquanto monitoram perifericamente a localização de outro, uma tarefa de "dupla decisão".

O jogo é adaptativo, ajustando sua velocidade e dificuldade conforme o desempenho do usuário, um fator considerado crucial para seu sucesso. "Ele está sempre trabalhando nos seus limites, fornecendo o nível certo de desafio, empurrando suas habilidades um pouquinho", explica a reportagem. Essa característica é semelhante à de outro jogo aprovado pela FDA para tratar TDAH em adultos.

Compromisso acessível com resultados mensuráveis

O protocolo do estudo não exigiu um comprometimento excessivo dos participantes. Eles realizaram cerca de uma ou duas sessões de 60 a 75 minutos por semana, durante um período inicial de 6 semanas. Posteriormente, receberam sessões de "reforço" – até quatro sessões de 75 minutos cerca de um ano depois e mais quatro sessões três anos depois.

Joyce Grego, uma professora aposentada de 71 anos que pratica o Double Decision há anos (embora não tenha participado do estudo), relatou sentir-se mais afiada que seus colegas. "Eu apenas sou muito consciente do meu entorno, e sinto que assimilo muito, e atribuo isso a isso, especialmente ao Double Decision", disse ela, destacando melhorias na memória e na percepção visual periférica.

Mecanismo ainda sob investigação

Os cientistas ainda investigam o motivo exato pelo qual este jogo específico tem um efeito tão mensurável. Marilyn Albert especula que a tarefa pode impactar a conectividade cerebral. "Meu palpite é que este treino cognitivo faz algo com a conectividade do cérebro", afirmou. A hipótese é que o treino de velocidade ajuda a manter as conexões entre diferentes áreas do cérebro, que diminuem com a idade.

Questionada se outras atividades fora da tela que exigem velocidade e dupla tarefa – como tênis ou judô – poderiam oferecer benefícios similares, Albert foi cautelosa. "Eu gostaria de poder dizer sim, porque não quero ter que dizer que você tem que fazer esta tarefa. A tarefa é bastante tediosa", admitiu. Ela enfatiza que mais pesquisas são necessárias para entender os mecanismos por trás do efeito.

As descobertas trazem uma nova perspectiva concreta para as recomendações de saúde cerebral, que tradicionalmente são vagas. "Para mim, isso muda a conversa", concluiu Albert. "É extremamente convincente."