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Kais Khimji, ex-parceiro da renomada firma de capital de risco Sequoia Capital, anunciou nesta quinta-feira o lançamento da Blockit, uma startup que utiliza agentes de inteligência artificial para automatizar completamente o agendamento de reuniões. A empresa, uma materialização de uma ideia que Khimji desenvolveu há cerca de dez anos como estudante em Harvard, recebeu um investimento semente de US$ 5 milhões liderado justamente pela Sequoia, seu antigo empregador.

O diferencial da Blockit, segundo seus fundadores, está no uso de modelos de linguagem avançados (LLMs) para que seus agentes de IA negociem horários diretamente entre si, eliminando a troca de e-mails. A empresa já conta com mais de 200 clientes, incluindo startups de tecnologia e grandes fundos de venture capital.

Uma rede social de tempo movida por IA

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A Blockit foi cofundada por Kais Khimji e John Hahn, que possui experiência prévia em produtos de calendário como Timeful, Google Calendar e Clockwise. Juntos, eles descrevem a plataforma como uma "rede social de IA para o tempo das pessoas". "Sempre pareceu muito estranho. Eu tenho um banco de dados de tempo — minha agenda. Você tem um banco de dados de tempo — sua agenda, e nossos bancos de dados simplesmente não conseguem conversar", explicou Khimji em entrevista ao TechCrunch.

Para usar o serviço, os usuários copiam o agente da Blockit em um e-mail ou o acionam via Slack. O bot então assume a logística, negociando um horário e local mutuamente convenientes com base nas preferências pré-configuradas de cada participante, que podem incluir desde reuniões inegociáveis até a flexibilidade para pular o almoço em dias mais agitados.

Superando os concorrentes com nuance contextual

Khimji acredita que os avanços em LLMs permitem à Blockit operar com mais nuance e eficiência do que concorrentes anteriores que faliram, como Clara Labs e x.ai. A aposta é que seus agentes possam dominar sutilezas que vão além da simples checagem de disponibilidade, método usado pelo líder atual do setor, o Calendly — avaliado em US$ 3 bilhões em seu último round de investimento.

O sistema pode ser treinado para priorizar reuniões com base no tom de um e-mail, dando precedência, por exemplo, a uma solicitação formal assinada com "Atenciosamente" em detrimento de uma interação casual que termine com "Abraços". Essa capacidade de capturar o contexto por trás das decisões de agenda alinha-se ao conceito de "grafos de contexto", identificado por investidores como uma oportunidade bilionária para agentes de IA.

Expansão e modelo de negócios

Além da fintech Brex e das startups de IA Together.ai e Rogo, a Blockit já é utilizada por grandes fundos de venture capital como a16z, Accel e Index Ventures. O aplicativo está disponível gratuitamente por 30 dias. Após o período de testes, a assinatura custa US$ 1.000 anuais para usuários individuais e US$ 5.000 anuais para licenças de equipe com suporte a múltiplos usuários, detalhou Khimji.

Em um post no blog da Sequoia anunciando o investimento, Pat Grady, sócio-geral e co-steward da empresa, expressou grande confiança no projeto: "A Blockit tem a chance de se tornar um negócio com receita acima de US$ 1 bilhão, e o Kais fará com que ela chegue lá". O lançamento marca a transição de Khimji de investidor para fundador, seguindo um caminho similar ao de outros ex-parceiros da Sequoia, como David Velez, fundador do banco digital Nubank.