O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por seu envolvimento na chamada "trama golpista", conjunto de ações investigadas após as eleições de 2022. A pena, já em cumprimento, marca o desfecho judicial de uma série de atos considerados antidemocráticos que buscaram contestar os resultados do pleito, no qual Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Eleito em 2018 de forma surpreendente após sete mandatos como deputado federal sem grande projeção, Bolsonaro assumiu o governo em 2019. Seu mandato foi marcado pela gestão polêmica da pandemia de COVID-19, com o presidente referindo-se à doença como uma "gripezinha", combatendo medidas de isolamento e defendendo o uso de medicamentos como a cloroquina, sem comprovação científica.
Da ascensão meteórica à condenação
A trajetória política de Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército e notório defensor do regime militar (1964-1985), ganhou projeção nacional na eleição de 2018. Naquele pleito, ele enfrentou e venceu o candidato petista Fernando Haddad, escolhido pelo PT enquanto o ex-presidente Lula cumpria pena na sede da Polícia Federal em Curitiba. Haddad, considerado sem carisma e pouco conhecido, não foi páreo para a retórica populista de Bolsonaro.
Em 2022, buscando a reeleição, Bolsonaro teve como adversário o próprio Lula, em liberdade após anulação de suas condenações. Desta vez, foi derrotado por uma margem estreita de votos. Os eventos que se seguiram à derrota eleitoral, porém, são o cerne da condenação que totaliza 27 anos de prisão.
O contexto da "trama golpista" e o futuro político
As investigações que levaram à condenação apuraram uma série de articulações e atos realizados por Bolsonaro e aliados após a confirmação da vitória de Lula. Essas ações, classificadas pelas autoridades como uma tentativa de golpe de Estado, incluíam reuniões com militares, disseminação de desinformação sobre as urnas eletrônicas e incentivo a protestos que culminaram nas invasões de sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Embora ainda movimente parte de sua base de apoiadores, que no passado o chamava de "mito", analistas políticos avaliam que Bolsonaro perdeu o mesmo impacto e influência de outrora. A condenação e prisão simbolizam, para muitos, a materialização de que a figura pública está sujeita às vicissitudes da lei.
O futuro jurídico do ex-presidente ainda pode ser alterado por recursos ou eventuais medidas de graça, como anistia ou redução de pena, mas essas são tratadas, por ora, como meras conjecturas. A condenação atual o coloca como o maior protagonista condenado nos processos relacionados aos eventos pós-eleição de 2022.