Ex-presidente Jair Bolsonaro é condenado por tentativa de golpe de Estado em 2025
Processo que se arrastou por meses acirrou polarização e deixou a direita sem um nome definido para 2026.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo crime de tentativa de golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025. O julgamento, cuja denúncia foi aceita em março, foi o episódio político de maior tensão no país ao longo do ano, acirrando a polarização e gerando reflexos institucionais, econômicos e diplomáticos.
A defesa do ex-presidente agora pede a concessão de prisão domiciliar humanitária, alegando problemas de saúde de Bolsonaro. Paralelamente, o movimento conservador enfrenta dificuldades para definir um nome capaz de liderar a oposição e disputar as eleições presidenciais de 2026.
Trajetória do processo e reações internacionais
O caminho até a condenação foi marcado por momentos de alta tensão. Em junho, o depoimento de Bolsonaro no STF coincidiu com um posicionamento público do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em suas redes sociais, manifestando apoio ao ex-mandatário brasileiro. A reação de Trump foi imediata: anunciou um aumento de tarifas de 40% sobre produtos brasileiros, que somados a 10% já vigentes, totalizaram 50%.
Em julho, a Polícia Federal (PF) apontou risco de fuga e determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro. O equipamento foi posteriormente avariado, fato que resultou na prisão temporária do ex-presidente na sede da PF em Brasília. Em agosto, a prisão foi convertida em domiciliar.
O governo americano também anunciou sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, que, em retaliação, abriu inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposta atuação contra o Judiciário.
Fortalecimento de Lula e crise na segurança pública
Em meio à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu sua imagem se fortalecer perante a opinião pública, especialmente após os ataques tarifários de Trump. Apesar de críticas iniciais sobre suposta falta de habilidade diplomática, Lula conseguiu reabrir o diálogo com os EUA. No final do ano, Trump posicionou-se pela remoção das tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros.
As conversas entre os dois países passaram a incluir a ampliação da cooperação no combate ao crime organizado internacional. Essa guinada temática ocorreu após a Operação Contenção, deflagrada pelo governo do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, que deixou 122 pessoas mortas – número superior ao do Massacre do Carandiru –, foi a mais letal da história recente do país e gerou intensos embates ideológicos, além de evidenciar rachas internos no PT.
Desgastes no Congresso e outros eventos marcantes
O governo Lula também enfrentou atritos com a Câmara dos Deputados ao longo de 2025. As pautas que causaram maior desgaste foram a PEC da Blindagem, o PL da Devastação, a MP da Taxação BBB (Bilionários, Bets e Bancos) e o PL da Anistia.
A realização da COP-30 no Brasil, inicialmente vista como uma vitória, tornou-se um momento conturbado após a invasão e incêndio de pavilhões, com imagens repercutindo negativamente no mundo todo.
Fora da política, o ano foi marcado por casos de intoxicação por metanol, um tornado que destruiu o município de Rio Bonito do Iguaçu (PR) e a morte da brasileira Juliana Marins durante uma escalada no Monte Rinjani, na Indonésia. O debate sobre proteção de menores na internet ganhou força com o lançamento da série "Adolescência" na Netflix e com as denúncias do influencer Felca sobre ações de pedófilos no ambiente virtual.
Panorama para as eleições de 2026
Com a condenação de Bolsonaro e a indefinição da oposição, o cenário para as eleições presidenciais de 2026 aponta para a ampliação das tensões já instaladas no xadrez político nacional. A expectativa, segundo analistas, é que os debates ocorram de forma respeitosa, dentro de um processo eleitoral íntegro e democrático, apesar do clima de radicalização.
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