As Forças de Defesa do Povo de Uganda (UPDF) confirmaram que o padre católico Deusdedit Ssekabira está sob custódia militar. O religioso, que estava desaparecido desde o início de dezembro, é investigado por suposto envolvimento em "atividades subversivas violentas contra o Estado", conforme nota oficial do Exército divulgada no domingo (14).
A Diocese de Masaka havia denunciado no sábado (13) que o padre, de 45 anos, foi sequestrado por homens em uniforme militar por volta das 13h (horário local) na cidade de Masaka. O bispo Severus Jjumba afirmou que Ssekabira, vigário da Paróquia de Bumangi e diretor de uma escola primária, foi abordado e levado em um veículo das Forças Armadas.
Contraste entre versões e busca por esclarecimentos
A confirmação da prisão pelo Exército contrasta com a posição inicial da Polícia de Uganda, que afirmou não saber do paradeiro do religioso e disse apenas que apurava relatos sobre seu desaparecimento. Em comunicado, o bispo Jjumba classificou o episódio como grave e informou que a diocese mobilizou advogados para buscar esclarecimentos e garantir a libertação do padre.
A UPDF afirmou que a detenção foi legal e que Ssekabira será apresentado à Justiça para responder às acusações. No entanto, os militares não informaram onde ele está custodiado nem deram detalhes sobre as investigações em curso.
Reação da Igreja e apelo aos fiéis
Diante da falta de informações iniciais, a Diocese de Masaka convocou os fiéis para momentos especiais de oração pela libertação do padre. A Igreja Católica no país demonstrou preocupação com o caso, que ocorre em um contexto de tensões políticas e sociais em Uganda.
O padre Deusdedit Ssekabira é uma figura conhecida na região, exercendo funções pastorais e educacionais. Seu desaparecimento e posterior confirmação de prisão por acusações de subversão geraram comoção entre a comunidade local.
Próximos passos e contexto legal
O Exército ugandense garantiu que o processo seguirá os trâmites legais. A expectativa é que o padre seja formalmente acusado e tenha acesso à defesa nos próximos dias. Casos envolvendo acusações de atividades contra o Estado costumam ser tratados com rigor pelo sistema judiciário do país.
Organizações de direitos humanos devem acompanhar o desenrolar do caso, que coloca em evidência a relação entre instituições religiosas e forças de segurança em Uganda. A diocese aguarda autorização para que advogados tenham acesso ao religioso detido.