FBI descobre mais de 1 milhão de documentos inéditos ligados ao caso Jeffrey Epstein
Novo acervo foi identificado por procuradores federais e pode levar semanas para ser revisado e divulgado.
Autoridades dos Estados Unidos descobriram mais de um milhão de documentos inéditos potencialmente ligados ao caso do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. O material foi identificado pelo FBI e pelo gabinete do procurador federal do Distrito Sul de Nova York, que informaram o Departamento de Justiça nesta semana.
Segundo comunicado oficial, a análise e a edição legal dos arquivos podem levar "mais algumas semanas". A descoberta ocorre após críticas pelo descumprimento do prazo legal, encerrado em dezembro, para a liberação integral dos registros relacionados a Epstein, conforme determinado pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
Revisão contínua e críticas no Congresso
O Departamento de Justiça afirmou que equipes de advogados trabalham "24 horas por dia" para revisar os documentos, com o objetivo de proteger a identidade das vítimas e cumprir exigências legais antes da divulgação. A pasta não detalhou como o novo acervo foi obtido.
O atraso na divulgação total passou a ser alvo de questionamentos no Congresso. Parlamentares de diferentes partidos criticam o nível das redações (censuras) nos lotes já divulgados, alegando que a lei permite ocultações apenas para proteger vítimas ou investigações em andamento.
Em publicação no X (antigo Twitter), o deputado democrata Robert Garcia, do Comitê de Supervisão da Câmara, acusou a Casa Branca de reter documentos "ilegalmente". Para ele, há cortes que vão além do previsto na legislação, que proíbe esconder nomes apenas por risco de constrangimento ou dano à reputação.
Conteúdo dos arquivos e investigações
Os arquivos já tornados públicos incluem e-mails, fotos, vídeos e relatórios de investigação, muitos com partes extensamente censuradas. A lei exige a liberação de comunicações internas e memorandos que detalhem quem foi investigado e quais decisões levaram a acusações, ou à desistência delas, contra Epstein e seus associados.
Entre os registros analisados por investigadores, há e-mails de 2019 que mencionam ao menos 10 possíveis cúmplices de Epstein. Seis dessas pessoas teriam recebido intimações em diferentes estados, como Flórida, Massachusetts, Nova York e Connecticut. Até agora, apenas Ghislaine Maxwell foi condenada, em 2022, a 20 anos de prisão por tráfico sexual de menores.
Repercussão internacional e próximos passos
Divulgações anteriores tiveram impacto fora dos EUA. No Reino Unido, vieram à tona vínculos entre Epstein e figuras da elite política e da monarquia, como o príncipe Andrew, que perdeu títulos e funções públicas após o escrutínio sobre sua relação com o financista.
Na liberação mais recente, um e-mail de 2001 atribuído a uma pessoa identificada como "A", de Balmoral, enviado a Maxwell, voltou a levantar questionamentos sobre a rede de contatos de Epstein. A equipe do duque nega qualquer irregularidade.
O Departamento de Justiça afirmou que continuará divulgando os documentos em novos lotes, à medida que a revisão avançar, mas não há um cronograma fechado para a conclusão do processo.
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