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O primeiro lançamento de um foguete comercial a partir do Brasil terminou em explosão cerca de 30 segundos após a decolagem, na noite de anteontem, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Apesar da falha, autoridades brasileiras celebraram a operação como um passo histórico para a inserção do país no mercado internacional de lançamentos espaciais.

O veículo HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, decolou às 22h13 após uma série de adiamentos iniciada em novembro. Segundo a empresa, uma "anomalia" foi detectada pouco após o início da manobra de inclinação para inserção orbital, levando à decisão de segurança de derrubar o foguete dentro da zona terrestre designada. Não havia tripulação a bordo.

Autoridades destacam sucesso das operações brasileiras

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Em comunicados, o governo brasileiro adotou um tom positivo. A Agência Espacial Brasileira (AEB) afirmou que o lançamento "transcorreu de forma regular e segura em todas as etapas sob responsabilidade brasileira". O órgão, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ressaltou que eventos assim são parte do desenvolvimento tecnológico espacial.

O MCTI seguiu a mesma linha, declarando que todos os protocolos de segurança e operações de solo sob responsabilidade nacional "funcionaram com precisão e exatidão". A pasta vê a operação como uma demonstração da "plena capacidade e maturidade operacional do CLA".

Investigação em andamento e reação do mercado

A Força Aérea Brasileira (FAB) vai apurar as circunstâncias do acidente em conjunto com a Innospace. Em comunicado aos acionistas, o CEO da empresa, Soo-jong, pediu "profundas desculpas" e afirmou que uma análise minuciosa das causas será realizada. "O desenvolvimento e operação de veículos de lançamento envolvem inúmeras tecnologias de alta complexidade", disse o executivo.

O mercado reagiu negativamente: após a explosão, as ações da Innospace caíram 29% na bolsa sul-coreana Kosdaq. A empresa não divulgou o valor do prejuízo financeiro da missão fracassada.

Carga útil e contexto estratégico

O foguete, projetado para colocar até 90 kg em órbita, transportava uma carga valiosa: cinco satélites e três experimentos do Brasil e da Índia, além de mensagens de estudantes maranhenses. Entre os equipamentos estava o satélite Jussara-K, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), destinado à coleta de dados ambientais.

As autoridades enxergam a parceria com a Innospace como estratégica para demonstrar o potencial competitivo da base de Alcântara, cuja proximidade com a Linha do Equador reduz o consumo de combustível nos lançamentos. Um voo bem-sucedido teria marcado o primeiro lançamento orbital a partir de solo brasileiro.

Próximos passos e aprendizado

Apesar do incidente, novos lançamentos não estão descartados. A Innospace já reservou diversos períodos em 2026 para operações no CLA, conforme calendário do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da FAB.

O MCTI reforçou que "eventos desta natureza, embora indesejados, são comuns no processo de inovação e pioneirismo científico, servindo como fonte indispensável de dados e aprendizado". A falha ocorreu após adiamentos por ajustes técnicos, problemas em sistemas de resfriamento, uma válvula de tanque e questões meteorológicas.