Adolescentes nos Estados Unidos estão adiando em massa a obtenção da carteira de motorista, um marco tradicional aos 16 anos, mantendo os pais da Geração X no volante por mais tempo do que o esperado. Dados da Administração Federal de Rodovias mostram que apenas 25% dos jovens de 16 anos tinham habilitação em 2022, uma queda acentuada em relação aos 50% registrados em 1983. O fenômeno, impulsionado por medo, custos e conveniência de aplicativos, está transformando dinâmicas familiares e o mercado de transporte.
O adiamento está ligado a uma tendência mais ampla da Geração Z, que avança mais lentamente em marcos sociais como relacionamentos e vida independente. "Se você pensar por que esses jovens de 16 anos — há 30 ou 50 anos — estavam tão ansiosos para tirar a carteira, muito tinha a ver com querer beber e ter relações sexuais", analisa Jeffrey Jensen Arnett, professor de psicologia da Clark University. A facilidade de socialização online e a promessa futura de carros autônomos também reduzem a urgência.
Custo e medo freiam emancipação no trânsito
Os custos associados a dirigir se tornaram uma barreira significativa. O preço de carros usados disparou nos últimos anos, assim como os prêmios mensais do seguro auto. Simultaneamente, menos escolas públicas oferecem programas gratuitos de educação para o trânsito, conforme relatado pela empresa de pesquisa IBISWorld. Em Ohio, Nina McCollum, 57, encontrou o curso mais barato de um provedor reputável por US$ 700, um valor que a fez adiar as aulas formais para seu filho de 16 anos.
O medo é outro fator central. Colton Mott, 16, da Califórnia, decidiu suspender indefinidamente seus planos após rolar um sinal vermelho e uma placa de pare durante sua permissão de aprendiz. "Se envolver em acidentes é algo que me assusta muito", explica o adolescente. Sua mãe, Christina Mott, 46, que dirige três filhos para escolas diferentes, reconhece a apreensão: "A ideia de ele lidar com semáforos e outros motoristas me deixa nervosa também".
Pais viram "motoristas particulares" de adolescentes
O resultado é uma inversão de papéis: em vez de adolescentes implorando para dirigir, são os pais que pressionam. Em fóruns online como o Reddit, pais da Geração X reclamam de ser "motoristas particulares de crianças velhas o suficiente para dirigirem sozinhas". Giselle Rodriguez Greenwood, dos subúrbios de Houston, descreve a resistência de seu filho de 17 anos como "quase empurrá-lo de um penhasco".
A dependência gera logísticas complexas. "Vira 'pedra, papel e tesoura' sobre quem vai levar quem para a casa de quem", diz Greenwood sobre a rede de pais que se organiza por mensagens de texto para levar adolescentes a práticas de lacrosse e outros compromissos. A situação persiste até a idade adulta, com motoristas de aplicativo como Robert Roble, 59, da Geórgia, relatando aumento no número de jovens de até 22 anos solicitando corridas.
Impacto no mercado e na independência futura
O fenômeno beneficia empresas de transporte por aplicativo. Tanto a Lyft quanto a Uber relataram que menos motoristas da Geração Z se traduzem em mais negócios para as companhias. "Os dados mostram que a maioria dos jovens de 16 anos, neste momento, não está tão interessada em uma carteira de motorista", afirmou Andrew Macdonald, presidente da Uber, em entrevista recente.
Especialistas alertam, no entanto, para as limitações que a falta de habilitação pode impor em um país dependente do carro. Alma Benitez, 24, que tirou a carteira apenas aos 21, sentiu na pele o prejuízo. "Porque eu não dirigia, a maioria dos meus empregos e locais de estudo tinha que ser a uma distância caminhável ou de transporte público", disse. "Isso meio que me limitou." Ela agora cria conteúdos no TikTok para novos motoristas, muitos deles na casa dos 20 e poucos anos, que expressam medo de dirigir.
Enquanto alguns pais, como Greenwood, planejam ser mais firmes com os filhos mais novos, a tendência parece consolidada. De volta à Califórnia, Colton Mott retomou as aulas e marcou um teste no DETRAN, em um esforço para recuperar a confiança. Sua mãe, que inscreveu ele em ambas as atividades, observa: "Ele tem pedido para dirigir todos os dias".