Publicidade

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, usou seu discurso de 30 minutos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para lançar uma série de críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista ao editor da Semafor, Ben Smith, na quarta-feira (17), Newsom afirmou que os EUA vivem sob a "regra de Don", em referência a Trump, e não sob o Estado de Direito.

"Poderes co-iguais do governo, o Estado de Direito, a soberania popular", disse Newsom. "Diga-me se isso reflete a América sobre a qual você lê hoje." O político democrata, frequentemente citado como potencial candidato presidencial para 2028, acusou o Congresso americano de ser "supino" e criticou universidades, escritórios de advocacia e líderes corporativos por "se venderem" à administração Trump.

Críticas diretas e performance teatral

Publicidade

Para ilustrar seu ponto, Newsom levou ao palco joelheiras de cor vermelho-vivo, sugerindo que executivos as usariam para se ajoelhar perante Trump. "Há joelheiras disponíveis para compra. O último lote de joelheiras esgotou assim como nossos escritórios de advocacia estão se vendendo", declarou, sem citar nomes de CEOs específicos.

O discurso apaixonado e em tom de debate do governador, realizado no quarto dia do fórum, foi intercalado por rodadas de aplausos da plateia. Newsom é um participante habitual do evento, tendo comparecido várias vezes durante seu mandato como prefeito de São Francisco, entre 2004 e 2011.

Resposta de Trump e tensões em Davos

Horas antes, em seu próprio discurso no Fórum, Trump mencionou a presença de Newsom. "Eu sei que o governador Newsom está aqui. Ele é um bom sujeito. Eu costumava me dar tão bem com ele", afirmou o ex-presidente republicano.

A estadia de Newsom em Davos, no entanto, não foi livre de contratempos. O governador foi barrado na entrada da "USA House", um espaço do evento, apesar de estar escalado para um "fireside chat" (bate-papo informal). Ele criticou o ocorrido em uma publicação na rede social X: "Quão fraco e patético você tem que ser para ter tanto medo de um fireside chat?".

Posteriormente, Newsom recebeu um convite para um coquetel VIP na USA House, horas após o discurso de Trump, mas recusou o oferecimento. Ele também trocou farpas com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que em coletiva de imprensa o chamou de "presunçoso, muito egocêntrico e economicamente analfabeto para saber de qualquer coisa".

Contexto político e futuras ambições

Analistas políticos ouvidos pela Business Insider avaliam que o retorno de Newsom a Davos prepara o terreno para uma potencial candidatura à Presidência em 2028. Na semana anterior ao fórum, ele anunciou que um dos principais objetivos de sua agenda no evento era rebater a visão de Trump para o futuro do capitalismo.

A postura de confronto com figuras proeminentes do Partido Republicano não é nova para Newsom. Nos últimos anos, ele se tornou um antagonista frequente do governador da Flórida, Ron DeSantis, que foi o principal rival de Trump pela indicação republicana nas primárias presidenciais.

O Fórum Econômico Mundial de Davos reúne anualmente líderes políticos, empresariais e acadêmicos para debater questões globais. A participação de figuras políticas americanas no evento é frequentemente analisada como um termômetro de suas ambições nacionais.