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Governador da Califórnia critica "regra de Don" de Trump em discurso no Fórum Econômico Mundial
Política

Governador da Califórnia critica "regra de Don" de Trump em discurso no Fórum Econômico Mundial

Gavin Newsom acusa Congresso e líderes empresariais de se submeterem ao ex-presidente em evento na Suíça.

Redação
Redação
22 de janeiro de 2026

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, usou seu discurso de 30 minutos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para lançar uma série de críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista ao editor da Semafor, Ben Smith, na quarta-feira (17), Newsom afirmou que os EUA vivem sob a "regra de Don", em referência a Trump, e não sob o Estado de Direito.

"Poderes co-iguais do governo, o Estado de Direito, a soberania popular", disse Newsom. "Diga-me se isso reflete a América sobre a qual você lê hoje." O político democrata, frequentemente citado como potencial candidato presidencial para 2028, acusou o Congresso americano de ser "supino" e criticou universidades, escritórios de advocacia e líderes corporativos por "se venderem" à administração Trump.

Críticas diretas e performance teatral

Para ilustrar seu ponto, Newsom levou ao palco joelheiras de cor vermelho-vivo, sugerindo que executivos as usariam para se ajoelhar perante Trump. "Há joelheiras disponíveis para compra. O último lote de joelheiras esgotou assim como nossos escritórios de advocacia estão se vendendo", declarou, sem citar nomes de CEOs específicos.

O discurso apaixonado e em tom de debate do governador, realizado no quarto dia do fórum, foi intercalado por rodadas de aplausos da plateia. Newsom é um participante habitual do evento, tendo comparecido várias vezes durante seu mandato como prefeito de São Francisco, entre 2004 e 2011.

Resposta de Trump e tensões em Davos

Horas antes, em seu próprio discurso no Fórum, Trump mencionou a presença de Newsom. "Eu sei que o governador Newsom está aqui. Ele é um bom sujeito. Eu costumava me dar tão bem com ele", afirmou o ex-presidente republicano.

A estadia de Newsom em Davos, no entanto, não foi livre de contratempos. O governador foi barrado na entrada da "USA House", um espaço do evento, apesar de estar escalado para um "fireside chat" (bate-papo informal). Ele criticou o ocorrido em uma publicação na rede social X: "Quão fraco e patético você tem que ser para ter tanto medo de um fireside chat?".

Posteriormente, Newsom recebeu um convite para um coquetel VIP na USA House, horas após o discurso de Trump, mas recusou o oferecimento. Ele também trocou farpas com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que em coletiva de imprensa o chamou de "presunçoso, muito egocêntrico e economicamente analfabeto para saber de qualquer coisa".

Contexto político e futuras ambições

Analistas políticos ouvidos pela Business Insider avaliam que o retorno de Newsom a Davos prepara o terreno para uma potencial candidatura à Presidência em 2028. Na semana anterior ao fórum, ele anunciou que um dos principais objetivos de sua agenda no evento era rebater a visão de Trump para o futuro do capitalismo.

A postura de confronto com figuras proeminentes do Partido Republicano não é nova para Newsom. Nos últimos anos, ele se tornou um antagonista frequente do governador da Flórida, Ron DeSantis, que foi o principal rival de Trump pela indicação republicana nas primárias presidenciais.

O Fórum Econômico Mundial de Davos reúne anualmente líderes políticos, empresariais e acadêmicos para debater questões globais. A participação de figuras políticas americanas no evento é frequentemente analisada como um termômetro de suas ambições nacionais.

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