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O governo da Índia ordenou o bloqueio do acesso à plataforma de banco de dados para desenvolvedores Supabase em seu território. A medida, implementada a partir de 24 de fevereiro, foi tomada com base no Artigo 69A da Lei de Tecnologia da Informação indiana, que confere ao Executivo poderes para restringir conteúdo online. A Supabase, sediada em São Francisco, confirmou as interrupções em redes sociais, relatando acesso inconsistente em diversas operadoras.

As autoridades indianas não divulgaram publicamente os motivos para a ação, deixando em aberto se a decisão está ligada a preocupações com cibersegurança, reclamações de direitos autorais ou outra questão. Também não foi informado por quanto tempo as restrições permanecerão em vigor. A empresa chegou a marcar o ministro de TI da Índia, Ashwini Vaishnaw, em uma postagem pedindo intervenção, mas a mensagem foi posteriormente removida.

Impacto no ecossistema de desenvolvedores

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A Índia é o quarto maior mercado de tráfego da Supabase, representando aproximadamente 9% das visitas globais, de acordo com dados da Similarweb. Em janeiro, a plataforma registrou cerca de 365 mil visitas do país, um aumento de 179% em relação ao ano anterior. A interrupção do serviço tem impacto direto no trabalho de startups e desenvolvedores locais.

Um fundador indiano, que pediu anonimato, relatou à TechCrunch que parou de ver novos cadastros de usuários da Índia nos últimos dois ou três dias. Um consultor de tecnologia que trabalha com startups locais também afirmou, sob condição de anonimato, não conseguir acessar a Supabase de forma confiável para desenvolvimento e produção.

Bloqueio inconsistente e tentativas de contorno

O bloqueio tem sido aplicado de forma irregular. À época da publicação do relatório original, o domínio principal supabase.co estava inacessível em conexões da ACT Fibernet, JioFiber e Airtel em Nova Delhi. No entanto, dois usuários da ACT Fibernet em Bengaluru ainda conseguiam acessar o serviço. Curiosamente, o site principal da Supabase permanecia acessível, mas sua infraestrutura de desenvolvimento subjacente estava bloqueada.

A empresa sugeriu workarounds como alterar configurações de DNS ou usar uma VPN para contornar as restrições. No entanto, o fundador entrevistado considerou que tais etapas não são práticas para a maioria dos usuários finais.

Precedentes e críticas ao regime de bloqueio

O caso reacende críticas sobre a amplitude do regime de bloqueio de sites na Índia. Raman Jit Singh Chima, diretor de política da Ásia-Pacífico da Access Now, alertou para as consequências graves da medida. "Você não sabe onde pode executar projetos com segurança sem o perigo de que algo aconteça e seja bloqueado, e de repente você está correndo para encontrar uma solução", disse ele à TechCrunch.

O país já enfrentou questionamentos semelhantes no passado. Em 2014, autoridades restringiram brevemente o acesso à plataforma GitHub, além de serviços como Vimeo, Pastebin e Weebly, durante uma investigação de segurança. Relatórios de 2023 também indicaram que um domínio de conteúdo crucial do GitHub foi bloqueado por alguns provedores de internet indianos.

Sobre a Supabase e próximos passos

Fundada em 2020 pelo CEO Paul Copplestone e pelo CTO Ant Wilson, a Supabase se posiciona como uma alternativa de código aberto ao Firebase, construída sobre o PostgreSQL. A startup, que levantou cerca de US$ 380 milhões em três rodadas de financiamento desde setembro de 2024, atingindo uma avaliação de US$ 5 bilhões, tem ganhado tração com o interesse em ferramentas de desenvolvimento impulsionadas por IA.

A Supabase emitiu um comunicado afirmando que "reconhece as dificuldades que isso está causando para nossos usuários" e que "continua a acompanhar por todos os canais disponíveis para resolver este problema". O Ministério da Eletrônica e TI da Índia, assim como as operadoras ACT Fibernet, Bharti Airtel e Reliance Jio, não responderam aos pedidos de comentário. Os fundadores da Supabase também não se manifestaram.