O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou um auto de infração e multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões por um vazamento de fluido de perfuração ocorrido no mar da Bacia da Foz do Amazonas em 4 de janeiro. O incidente aconteceu a 175 quilômetros da costa do Amapá, na região conhecida como Margem Equatorial.
Segundo o órgão ambiental, a autuação decorreu da "descarga de 18,44 m³ de Fluido de Perfuração de Base Não Aquosa (mistura oleosa) no mar", proveniente do Navio Sonda 42 (NS-42). A Petrobras confirmou o recebimento da notificação e afirmou que tomará "as providências cabíveis".
Risco ambiental e defesa da empresa
O Ibama classificou o material vazado como de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático, com base na Instrução Normativa nº 14/2025. Em contrapartida, a estatal defendeu que o fluido é "biodegradável, não persistente, não bioacumulável e não tóxico", conforme sua Ficha de Dados de Segurança, e que não gera danos ao meio ambiente.
A empresa tem um prazo de 20 dias para pagar a multa ou apresentar uma defesa administrativa. O vazamento ocorreu em linhas auxiliares que conectavam a sonda de perfuração ao poço Morpho, o que levou à paralisação das atividades dois dias após o incidente.
Retomada da perfuração com novas condições
Na última quarta-feira (4), a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) autorizou a retomada da perfuração do poço exploratório, mas impôs novas condições à Petrobras. Entre as exigências está a substituição de todos os selos das juntas do riser de perfuração – o tubo de grande diâmetro que liga o poço no fundo do mar à sonda.
A companhia deve ainda apresentar evidências da troca desses selos em até cinco dias após a instalação da última junta. A operação na Bacia da Foz do Amazonas é alvo de críticas de pesquisadores e ambientalistas.