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A primeira-dama, Janja Lula da Silva, impediu que Lurian da Silva, filha mais velha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecesse na sala reservada do mandatário durante o desfile das escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro, no último sábado (8). A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo relatos, Janja teria dito à filha do presidente que o local "não era lugar para isso", quando Lurian tentou conversar com o pai.

O espaço, destinado ao presidente e seu círculo mais próximo durante o evento, teve acesso restrito. Estiveram presentes apenas a primeira-dama, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e a esposa dele, Lu Alckmin. O secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Tavares dos Santos, amigo pessoal de Janja, também circulava livremente pelo local.

Contexto de atuação da primeira-dama

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Não é a primeira vez que Janja, graduada em Ciências Sociais e conhecida por defender a participação popular, toma a dianteira em decisões do entorno presidencial. Em ocasião anterior, ela desmentiu publicamente uma declaração do presidente Lula sobre uma reunião com o líder chinês Xi Jinping. Analistas políticos observam que, enquanto Lula mantém maioria no Congresso Nacional, seu controle sobre a agenda social e o círculo íntimo parece mais fragmentado.

Durante o desfile, Lula era o protagonista. Já no camarote, parecia figurante, conforme análise publicada no texto de referência. A situação ilustra uma dinâmica de poder onde, em eventos sociais, protocolos e filtros de acesso são definidos pela assessoria mais próxima, neste caso com influência direta da primeira-dama.

Repercussão e protocolo

O episódio ocorreu no mesmo carnaval em que a escola de samba Unidos da Tijuca homenageou o ex-presidente Jair Bolsonaro, fato que gerou polêmica durante a campanha eleitoral. A restrição de acesso a familiares em áreas reservadas, enquanto figuras políticas e amigos pessoais têm entrada liberada, levanta questões sobre os protocolos de segurança e social da Presidência da República em eventos públicos.

O governo federal, por meio de sua comunicação oficial, defende constantemente o diálogo amplo e a inclusão. Contudo, a cena no camarote seguiu a lógica de credenciamento rígido, onde "quem tem credencial entra. Quem não tem, aguarda no lounge da democracia, mesmo que seja parente", conforme descrito na coluna original.