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O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, filiou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido nesta quinta-feira. A mudança ocorre após Caiado não encontrar respaldo para uma eventual candidatura presidencial em sua antiga legenda, o União Brasil. A manobra de Kassab acontece no contexto de um racha com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que decidiu apoiar o filho Flávio Bolsonaro (PL) para 2026, frustrando planos do PSD de lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Com a adesão de Caiado, Kassab passa a ter sob sua influência três governadores com projeção nacional: além do goiano, Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR). O movimento coloca Tarcísio de Freitas em uma sinuca de bico, forçado a equilibrar lealdades entre o ex-presidente Bolsonaro, a quem deve sua carreira política, e Kassab, cujo partido é peça fundamental na sustentação de seu governo paulista.

Plano original frustrado e reviravolta no tabuleiro nacional

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Até recentemente, o plano de cúpula do PSD era transformar o governador Tarcísio de Freitas em adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2026. A estratégia contaria com o apoio do agronegócio e de outros setores da economia. Com Tarcísio no plano nacional, Kassab abriria caminho para disputar pessoalmente o governo de São Paulo.

Esse cenário foi desfeito quando Jair Bolsonaro, preso e com comunicação limitada, decidiu que o primogênito Flávio seria o representante da família na corrida eleitoral. “Kassab não deixou barato e botou para rodar o plano B”, conforme análise publicada. A filiação de Caiado é a materialização dessa alternativa, dando ao PSD um nome com base eleitoral sólida no Centro-Oeste e conexões com o agro.

O dilema de Tarcísio entre dois senhores

A eleição de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo em 2022 é atribuída diretamente ao apoio de Jair Bolsonaro. “Sem os votos do ex-presidente, Tarcísio em 2022 não seria eleito nem síndico de prédio”, avalia o texto de referência. No entanto, para governar, o republicano dependeu de uma aliança com o PSD de Kassab, partido com forte bancada na Assembleia Legislativa.

Essa dependência é descrita como profunda: “Tarcísio basicamente entregou ao seu secretário de Governo a caneta e as chaves do cofre”. O secretário em questão é vinculado ao PSD. O dilema atual, portanto, é “decidir quem obedecer. Se o ex-chefe a quem deve a trajetória política ou à eminência parda que viabilizou seu governo”.

O desfecho dessa disputa de influência pode ser definido em um encontro marcado entre Tarcísio e Bolsonaro. “Não se sabe o que sairá do encontro, na Papudinha, entre Tarcísio e Bolsonaro. Mas de lá sairá a versão que todos verão durante a campanha”, conclui a análise. A fidelidade do governador paulista será testada enquanto tenta servir a dois senhores com projetos políticos agora divergentes.