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Um laudo do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) confirmou a presença de bactérias em amostras de alimentos coletados na pizzaria investigada pelo surto de intoxicação alimentar em Pombal, na Paraíba. O episódio, ocorrido entre 15 e 16 de março, resultou no atendimento hospitalar de cerca de 114 pessoas e na morte de uma mulher de 44 anos.

O documento, divulgado neste sábado (28) pela Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), apontou contaminação em seis das sete amostras de alimentos analisadas. Foram identificadas bactérias como Staphylococcus aureus e Escherichia coli, que indicam possível risco à saúde. A investigação sobre a origem do surto continua com a Polícia Civil.

Resultados dos exames e defesa contesta

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Nas 11 amostras coletadas dos pacientes, não foram encontradas bactérias perigosas como Salmonella ou Shigella. O laudo registrou apenas a presença de bactérias comuns do próprio organismo, sem sinais claros de infecção por esses agentes específicos.

A defesa do dono do estabelecimento contestou os resultados. A advogada Raquel Dantas afirmou que a empresa só teve conhecimento oficial de uma amostra analisada – um pedaço de pizza recolhido pela Vigilância Sanitária. “Tomamos conhecimento por acaso. Eu estava ali no local quando esse laudo foi entregue na delegacia e nós, como defesa, tivemos conhecimento, mas oficialmente não fomos informados”, disse.

Questionamentos sobre a coleta

O proprietário apontou possíveis problemas no procedimento. Segundo ele, a pizza foi feita na noite do dia 15, mas só foi recolhida no dia seguinte, por volta das 16h. Ele argumenta que o laudo não especifica quanto tempo o alimento ficou fora de refrigeração nem em que condições foi armazenado, destacando que o próprio documento indica que a amostra estava em temperatura ambiente no momento da coleta.

“Não temos a documentação de quem manuseou esse pedaço de pizza, a forma como foi manuseada, a forma como foi armazenada, a forma como foi transportada; não temos o devido lacre nem as exigências que a lei determina para que essa prova não seja comprometida”, afirmou a advogada.

Irregularidades e cronologia do surto

A coleta foi realizada por equipes da Vigilância Sanitária e da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB), que inspecionaram o local. Durante a vistoria, foram identificadas irregularidades nas condições de higiene do estabelecimento.

O surto teve início no domingo, 15 de março, quando 36 pessoas procuraram atendimento no Hospital Regional de Pombal. No dia seguinte, mais 38 pacientes deram entrada na unidade. A vítima fatal, Raissa Martein Bezerra e Silva, foi internada na segunda-feira (16) em estado grave, com sintomas como diarreia, vômitos intensos e dor abdominal. Ela morreu na manhã de terça-feira (17). Ainda na terça, outros 40 casos foram registrados, e na quarta-feira (18), mais seis pessoas buscaram atendimento.

Próximos passos da investigação

O Instituto de Polícia Científica foi informado sobre os resultados do laudo, assim como as Vigilâncias Epidemiológica e Sanitárias. O dono da pizzaria afirmou seguir protocolos de higiene, como uso de toucas e luvas, e destacou que as pizzas são assadas a 320°C, temperatura que, segundo ele, eliminaria bactérias comuns. “Como eu sempre falo, estou sempre à disposição para dar esclarecimentos. Não tenho medo de expor minha imagem, porque quem tem a verdade no coração não precisa temer nada”, declarou o empresário.