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Líderes empresariais globais reagiram ao discurso do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça. Em sua fala de 70 minutos, Trump afirmou que não usará força militar para obter a Groenlândia, mas buscará "negociações imediatas" para discutir a aquisição do território pelos EUA. O tema dominou parte da agenda do evento deste ano.

O salão principal do congresso estava lotado com CEOs bilionários, incluindo Tim Cook, da Apple, e Marc Benioff, da Salesforce, além de chefes de estado, para ouvir o ex-presidente. A reação do setor empresarial foi mista, com análises sobre o conteúdo geopolítico e econômico do discurso.

Críticas à postura da Europa e justificativa para a Groenlândia

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Ken Griffin, fundador e CEO da gestora de investimentos Citadel, avaliou em entrevista à CNBC que Trump tinha "uma mensagem importante para entregar a um público europeu que, francamente, precisa fazer melhor". Griffin destacou que o crescimento econômico da Europa "fica muito atrás do da América".

O bilionário também comentou a justificativa apresentada por Trump para o interesse americano na Groenlândia, vinculando-a à segurança. "O compromisso do povo americano em defender nosso país é profundo. O compromisso dos europeus em defender seus países — se você olhar para pesquisas com a população — não é nem de longe tão forte", afirmou Griffin.

Ele interpretou que uma das "declarações fundamentais importantes" de Trump foi questionar se a Europa estaria ao lado dos EUA em caso de uma nova guerra, o que fundamentaria a necessidade de "acesso irrestrito à Groenlândia". No entanto, Griffin ponderou que, se os EUA decidirem seguir esse caminho, as discussões "devem levar tempo e ser cuidadosamente planejadas".

Alívio e alertas econômicos

Já Peter Schiff, economista-chefe da Euro Pacific Asset Management — empresa que administrava US$ 1,4 bilhão no ano passado —, manifestou alívio nas redes sociais. "Parece que prevaleceu a sensatez na Casa Branca. Então, se os EUA não puderem comprar a Groenlândia em vez de tomá-la pela força militar, Trump apenas guardará rancor", escreveu ele na plataforma X.

Schiff acrescentou que, embora a opção pela negociação seja "uma grande melhoria", isso também significa que "se conseguirmos comprar a Groenlândia, vamos pagar caro demais". O economista também emitiu um alerta sobre o mercado imobiliário americano, afirmando que uma "queda está chegando".

"Trump basicamente admitiu que há uma bolha imobiliária nos EUA. Ele também admitiu que seu principal objetivo político é impedir que ela estoure", escreveu Schiff. "Mas uma vez que você reconhece uma bolha, a pior coisa que pode fazer é tentar sustentá-la. Quanto mais cedo ela estourar, menos danos causará no final."

Estilo do discurso também chama atenção

Matthew Prince, CEO da empresa de segurança digital Cloudflare, comentou a forma da apresentação de Trump. "As duas últimas vezes que Trump falou em Davos, ele seguiu extremamente próximo do teleprompter. Desta vez não", observou Prince em sua publicação no X.

Griffin, da Citadel, também fez um alerta sobre o cenário global, afirmando que "investidores ao redor do mundo não querem ver uma escalada do estresse no comércio global que se desenrolou nos últimos 12 meses". As declarações ocorrem em um momento de tensões geopolíticas e incertezas econômicas, com o Fórum de Davos servindo como palco para esses debates entre líderes políticos e empresariais.