O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou uma eventual intervenção armada na Venezuela como uma "catástrofe humanitária" durante discurso na Cúpula do Mercosul, realizada neste sábado (20), em Foz do Iguaçu, no Paraná. A fala ocorre em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e o governo venezuelano.
Lula afirmou que um ataque desse tipo representaria um "precedente perigoso para o mundo". O presidente brasileiro discursou para os demais líderes do bloco sul-americano no encontro que marca o fim do semestre de presidência pro tempore do Brasil no Mercosul.
Preocupação com escalada de tensões
O alerta do chefe do Executivo brasileiro foi feito diante de declarações recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível ataque armado na região. "Não queremos guerra no nosso continente. Todo dia tem uma ameaça no jornal e nós estamos preocupados", disse Lula.
O presidente ainda sinalizou uma possível nova rodada de diálogo: "Agora, vai chegar o Natal e talvez eu tenha que conversar com Trump outra vez pra saber o que é possível o Brasil contribuir para um acordo diplomático e não para a guerra".
Defesa da paz e do direito internacional
Em sua fala, Lula defendeu a solução pacífica para os conflitos. “Os limites do direito internacional estão sendo testados, mas a construção de uma América do Sul próspera e pacífica é a única doutrina que convém aos países da região", afirmou.
O presidente também abordou outros temas durante a cúpula, como o adiamento da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ele, desde 2023, o Brasil tenta garantir que o acordo contribua para o desenvolvimento do bloco.
Outros temas na agenda do Mercosul
Lula criticou a demora nas negociações com os europeus, que já se arrastam por 26 anos. “Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos. Enquanto isso, o Mercosul seguirá trabalhando com outros parceiros”, salientou.
O presidente também citou as recentes movimentações jurídicas no Brasil, como o julgamento dos envolvidos na trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, o país “acertou a conta com os passados” e ressaltou que “a segurança é um direito do cidadão e um dever do Estado, independentemente da ideologia”.