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Bolívia decreta estado de emergência após 50 dias de protestos contra subsídios

Bolívia decreta estado de emergência após 50 dias de protestos contra subsídios

Medida visa desobstruir rodovias bloqueadas e garantir abastecimento de alimentos e combustíveis no país.

Redação
Redação
20 de junho de 2026

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou neste sábado (20) estado de emergência para conter a crise política que já dura mais de 50 dias. A medida autoriza o governo a desobstruir rodovias bloqueadas por manifestantes e garantir o abastecimento de itens essenciais, como alimentos, combustíveis e medicamentos.

O anúncio foi feito pela mídia estatal boliviana. Em pronunciamento, Paz justificou a decisão citando os graves impactos econômicos, sociais e humanitários dos bloqueios nas estradas e ressaltou que a medida não tem o objetivo de restringir a normalidade, mas de restabelecê-la. O presidente afirmou que a decisão foi tomada “depois de esgotar todas as vias de diálogo”.

Crise política e protestos

Os protestos contra o governo de Rodrigo Paz começaram em maio deste ano, após a decisão de encerrar subsídios históricos aos combustíveis, que estavam em vigor há cerca de duas décadas. A medida provocou aumento nos preços da gasolina e gerou forte reação popular.

Manifestantes aliados ao ex-presidente Evo Morales intensificaram os protestos, promovendo bloqueios em importantes rodovias do país. Entre as reivindicações estão aumentos salariais, o fim das medidas de austeridade e a renúncia de Paz.

Acordo e tramitação legal

O pronunciamento ocorreu poucas horas após o presidente anunciar, na sexta-feira (19), um acordo com a principal central sindical do país, a Confederação Operária Boliviana (COB). Conforme a legislação boliviana, o decreto entra em vigor imediatamente, mas o governo deve comunicar o Congresso em até 24 horas. Depois disso, os parlamentares terão até 72 horas para aprovar ou rejeitar a medida.

Contexto político

Há apenas sete meses no poder, Rodrigo Paz encerrou quase duas décadas de domínio do partido de esquerda Movimento para o Socialismo (MAS) na Bolívia. Ele assumiu a presidência em novembro de 2025 após vencer as eleições com 54,49% dos votos.

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