Uma mãe, criada por avós que usavam ameaças e mantinham comunicação fechada sobre temas difíceis, decidiu adotar uma abordagem radicalmente oposta com seus próprios filhos. Ela estabeleceu um diálogo aberto sobre drogas, sexo e álcool, priorizando a segurança e a confiança sobre o medo e o castigo. A filosofia, que ela mesma descreve como "loosey goosey" (folgada), já foi aplicada com seus dois filhos mais velhos, agora adultos, e está sendo replicada com os dois mais novos, que entram na adolescência.
Na sua infância, a falta de comunicação era regra. "As crianças eram para ser vistas e não ouvidas", relata. Alertas sobre drogas e sexo eram reduzidos a ameaças diretas: "Não use drogas ou você vai morrer" e "Não faça sexo ou você vai engravidar". Esse ambiente gerou medo, fazendo com que ela escondesse problemas e se sentisse sem um adulto de confiança para recorrer em situações de risco, o que testemunhou levar amigos a consequências graves.
Mudança de paradigma na criação
Determinada a quebrar o ciclo, ela tornou todos os temas conversáveis com seus filhos. "Eles sabiam que podiam me contar qualquer coisa", afirma. A abertura foi tão grande que amigos de seus filhos também passaram a procurá-la para desabafar. O objetivo central sempre foi a segurança. "Manter meus filhos seguros era meu primeiro e mais importante trabalho como pai", diz.
Com sua filha do ensino médio, a conversa sobre álcool foi pragmática: "Se você beber, ficarei mais chateada se você entrar em um carro com alguém que bebeu ou se decidir dirigir do que por causa da bebida em si". A instrução foi clara: "Me ligue, e eu vou buscar você". Ela reconhece que, embora não aprove o consumo por menores, vê isso como uma parte comum da adolescência e prefere garantir um resgate seguro.
Resultados e julgamentos
A abordagem rendeu elogios, como o de uma assistente social que destacou a "relação muito próxima e aberta" entre a mãe e seu filho. No entanto, também atraiu críticas. Quando seu filho abandonou a escola e os adolescentes enfrentaram questões típicas da idade, uma vizinha a chamou de "pai folgada" ("loosey goosey parent").
Ela reconhece que a criação foi desafiadora e exigiu equilíbrio entre disciplina e aceitação. "Meus filhos fizeram e continuam fazendo coisas com as quais muitas vezes não concordo", admite. Em vez de punir, ela buscou ver esses momentos como oportunidades de ensino, uma perspectiva que credita por ter cultivado relacionamentos estreitos.
Sem arrependimentos
Agora, com os filhos mais velhos na vida adulta e os mais novos na adolescência, ela não se arrepende da escolha. "Eu criaria da mesma maneira novamente. Na verdade, eu estou. Não tenho arrependimentos", declara. Ela finaliza refletindo sobre a vizinha que a julgou: "Espero que a vizinha que me julgou se sinta da mesma maneira quando os filhos dela passarem pelos difíceis anos da adolescência".