Marinha inicia construção da quarta fragata Tamandaré em Itajaí
Embarcação, que homenageia herói da Guerra do Paraguai, deve ser incorporada à frota em 2029 e gerar milhares de empregos.
A Marinha do Brasil deu início, nesta semana, à construção da quarta fragata do Programa Classe Tamandaré, a F203 "Mariz e Barros". A cerimônia de corte da primeira chapa de aço ocorreu no TKMS Estaleiro Brasil Sul, localizado em Itajaí, Santa Catarina, marcando o avanço do projeto estratégico de modernização da defesa naval do país.
O programa, considerado um "salto qualitativo" pela Marinha, visa ampliar a autonomia nacional na construção de navios de guerra complexos. A nova fragata, que homenageia o Primeiro-Tenente Antônio Carlos de Mariz e Barros, herói da Guerra da Tríplice Aliança, tem previsão de lançamento ao mar em 2027 e incorporação à frota operacional em 2029.
Impacto estratégico e industrial
O Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, que acionou o dispositivo simbólico do início da construção, destacou os benefícios de longo prazo. "Ao dominar a construção de navios complexos e integrar o seleto grupo de países capazes de projetar, integrar e construir fragatas modernas, o Brasil amplia sua autonomia naval", afirmou em entrevista.
Segundo o almirante, o projeto fortalece a soberania ao reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e impulsiona o desenvolvimento industrial com a transferência de tecnologia em áreas críticas, como sensores, sistemas de combate e integração eletrônica. O programa está inserido no eixo de Inovação para a Indústria de Defesa do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Capacidades operacionais das novas fragatas
As fragatas da Classe Tamandaré são definidas como navios multimissão, projetados para a defesa da Amazônia Azul – termo que se refere às águas jurisdicionais brasileiras, que somam cerca de 5,7 milhões de km². Suas atribuições incluem a escolta de navios mercantes, proteção de plataformas de petróleo e atuação em guerra antissuperfície, antiaérea e antissubmarino.
Para isso, as embarcações contarão com um conjunto moderno de sensores, incluindo radares de última geração, sonar de casco e sistemas eletro-ópticos, todos integrados a um Centro de Operações de Combate totalmente digital. A F203 "Mariz e Barros" terá capacidade de atingir velocidade de 25 nós, o equivalente a aproximadamente 47 km/h.
Andamento do programa e geração de empregos
A primeira fragata da classe, a "Tamandaré" (F200), foi lançada ao mar em agosto de 2024 e deve ser entregue ao setor operativo no primeiro semestre de 2026, após testes. A segunda, "Jerônimo de Albuquerque" (F201), foi lançada em agosto de 2025, com provas no mar previstas para meados de 2026. A terceira, "Cunha Moreira" (F202), iniciou sua construção em novembro de 2024 e deve ser lançada em julho de 2026.
De acordo com a Agência Marinha de Notícias, a expectativa é que a construção das quatro fragatas gere cerca de 23 mil empregos – sendo 2 mil diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos –, fortalecendo a Base Industrial de Defesa nacional.
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