O ano de 2026 exigirá das marcas menos previsões e mais capacidade de interpretar profundamente o contexto, em um cenário brasileiro marcado por eventos de alta carga emocional e simbólica. A Copa do Mundo e as eleições presidenciais e estaduais criarão um ambiente de exposição intensa, aumentando a sensibilidade do público ao posicionamento das empresas, onde oportunidade e risco caminham juntos.
Dados da Data-Makers indicam que 71% dos brasileiros pretendem consumir mais produtos e serviços durante a Copa, com destaque para alimentação fora do lar e lazer. Paralelamente, o calendário eleitoral deve introduzir cautela no mercado, afetando investimentos e trazendo volatilidade a indicadores como câmbio e bolsa de valores.
Relevância cultural como condição básica
Esses grandes eventos não impactam apenas o volume de vendas, mas moldam o imaginário coletivo e redefinem expectativas sobre o papel das marcas. Em um ambiente de atenção fragmentada, a relevância cultural deixa de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição básica de existência.
O marketing do próximo ciclo exigirá, portanto, menos futurologia e mais repertório, menos fórmulas prontas e mais sensibilidade cultural, focando na entrega concreta.
IA generativa e creator economy em novo patamar
O avanço da inteligência artificial generativa em áreas como atendimento e criação de conteúdo aponta para uma mudança estrutural na forma como as marcas escalam personalização e velocidade. A campanha de Black Friday da JOVI, criada integralmente com IA e com estética inspirada no terror, exemplifica o uso da tecnologia como meio para traduzir uma necessidade real do consumidor em narrativa eficaz.
A creator economy também entra em um estágio mais maduro, com crescente pressão por métricas de impacto real em vendas, além de alcance e engajamento. Formatos como live commerce, social commerce e programas de afiliados devem ganhar espaço, reposicionando criadores como canais de negócio.
Agilidade e contexto local para o pequeno empreendedor
Para o pequeno empreendedor, a estratégia não está em antecipar grandes tendências globais, mas em ler bem o contexto local, o calendário e o humor do consumidor. A chave é usar as ferramentas disponíveis de maneira prática, adaptar ofertas rapidamente aos grandes eventos e focar no que constrói vantagem competitiva.
Em cenários potencialmente instáveis, agilidade, clareza e proximidade com o cliente valem mais do que orçamento amplo ou promessas grandiosas.
O futuro, que já está em curso, favorecerá quem souber entender o presente com profundidade antes de tentar adivinhá-lo, conectando diversos movimentos por meio da capacidade de leitura de contexto.