O Reverendo Dr. Martin Luther King Jr., ícone da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, é mundialmente lembrado por discursos históricos como "I Have a Dream". No entanto, sua trajetória, desde a infância até o trágico assassinato em 1968, é marcada por uma série de episódios e características pessoais menos divulgados, que revelam a complexidade do homem por trás do símbolo.
Nascido em Atlanta, Geórgia, em 15 de janeiro de 1929, King teve seu primeiro contato com o racismo ainda na infância, quando um amigo branco se recusou a brincar com ele. Esse episódio, que ele descreveu como uma traição, é apontado como o momento em que despertou para a luta contra a discriminação.
Infância e educação precoce
Seu nome de batismo era, na verdade, Michael King Jr.. A mudança para Martin Luther ocorreu quando ele tinha 5 anos, após seu pai, o reverendo Michael King Sr., retornar de uma conferência batista na Alemanha inspirado pelo reformador religioso Martin Luther.
King demonstrou precocidade intelectual desde cedo. Ele foi expulso da primeira série aos 5 anos por ser considerado muito jovem, mas posteriormente pulou o nono e o décimo segundo anos do ensino fundamental devido ao seu desempenho acadêmico excepcional. Aos 15 anos, ingressou na Morehouse College, onde se formou em sociologia.
Carreira, vocação e vida pessoal
Apesar de seguir os passos do pai no ministério religioso, King não planejava inicialmente ser pastor. Sua visão mudou após um curso de bíblia com o Dr. George D. Kelsey, quando percebeu o púlpito como um veículo para a justiça social. Ele também foi um estudante dedicado, formando-se orador da turma (valedictorian) no seminário e obtendo um doutorado em filosofia teológica pela Boston University em 1955.
Sua vida pessoal também guarda curiosidades. King conheceu sua futura esposa, Coretta Scott, por telefone, em 1952, através de uma amiga em comum. O casamento aconteceu em 18 de junho de 1953, no Alabama. Porém, na época, nenhum hotel da região aceitava casais negros, forçando-os a passar a primeira noite de casados na casa de um amigo da família que era agente funerário.
Ativismo e legado
King assumiu um papel de liderança no movimento quase por acaso. Durante o boicote aos ônibus de Montgomery em 1956, ele ofereceu o porão de sua igreja para reuniões dos organizadores. Como ninguém se voluntariava para a presidência do grupo, ele foi eleito. Na ocasião, escreveu seu primeiro discurso político público em menos de uma hora.
Seu ativismo se expandiu para além dos direitos civis, englobando justiça econômica e forte oposição à Guerra do Vietnã – posição que lhe custou apoio popular. King foi alvo de um atentado em 1958, quando uma mulher o esfaqueou com um abridor de cartas em um evento de autógrafos, ferindo-o gravemente perto do coração.
Morte e homenagens póstumas
O discurso final de King, em Memphis no dia 3 de abril de 1968, continha palavras proféticas: "Eu vi a Terra Prometida. Talvez eu não chegue lá com vocês". Ele foi assassinado no dia seguinte, no Lorraine Motel. Suas últimas palavras foram um pedido ao músico Ben Branch para tocar o hino "Precious Lord, Take My Hand".
A campanha para tornar seu aniversário um feriado nacional contou com a força da música. Stevie Wonder compôs "Happy Birthday" em sua homenagem e, ao lado de Coretta Scott King, entregou uma petição com 6 milhões de assinaturas ao Congresso. O Martin Luther King Jr. Day foi instituído em 1986, tornando-o o primeiro não-presidente americano a ter um feriado nacional em seu nome. Em 1970, ele ganhou um Grammy póstumo por sua gravação do discurso "Why I Am Opposed to the War in Vietnam".