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Médicos chineses mantêm orelha viva no pé antes de reimplante na cabeça

Médicos chineses mantêm orelha viva no pé antes de reimplante na cabeça

Procedimento inédito salvou órgão após acidente grave que impediu reconstrução imediata no couro cabeludo.

Redação
Redação
26 de dezembro de 2025

Cirurgiões do Hospital Provincial de Shandong, na cidade de Jinan, na China, realizaram um procedimento inédito na medicina reconstrutiva: enxertaram a orelha de uma paciente no dorso do pé para mantê-la viva e, após meses de recuperação, recolocaram o órgão em sua posição original na cabeça. A paciente, identificada apenas pelo sobrenome Sun, perdeu completamente a orelha em um acidente de trabalho com maquinário pesado ocorrido em abril, que também causou ferimentos extensos no couro cabeludo, pescoço e rosto.

Diante da gravidade dos danos aos tecidos e à rede vascular da cabeça, que impossibilitaram um reimplante imediato, a equipe de microcirurgia, liderada pelo vice-diretor Qiu Shenqiang, optou pela solução temporária no pé. A região foi escolhida por ter artérias e veias de calibre compatível com os vasos da orelha e uma espessura de pele semelhante, reduzindo a necessidade de ajustes futuros.

Desafios da microcirurgia

A primeira cirurgia, que não tinha precedentes documentados de sucesso, durou cerca de dez horas. Um dos principais obstáculos foi conectar vasos sanguíneos extremamente finos, com diâmetro entre 0,2 e 0,3 milímetro. Cinco dias após o procedimento, os médicos enfrentaram uma complicação grave: um problema no retorno venoso fez a orelha ficar arroxeada.

Para salvar o enxerto, a equipe recorreu à técnica de sangria manual, aplicada cerca de 500 vezes ao longo de cinco dias. Paralelamente, o couro cabeludo da paciente foi reconstruído com enxertos de pele retirados do abdômen.

Reimplante definitivo

Após mais de cinco meses de recuperação e com a cicatrização completa do couro cabeludo, a equipe realizou a cirurgia final em outubro. O reimplante da orelha na cabeça durou cerca de seis horas e foi considerado bem-sucedido, estabelecendo um marco na área.

A paciente já recebeu alta hospitalar e apresenta recuperação significativa das funções faciais e dos tecidos. Ela ainda passará por procedimentos complementares, como a reconstrução das sobrancelhas e a redução de cicatrizes no pé.

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