Samantha, uma jornalista norte-americana, embarcou em uma jornada de três anos como nômade digital após o término de um relacionamento de dois anos, em 2021. Com um trabalho remoto recém-conseguido, ela colocou seus pertences em um armazenamento em Nova Jersey e partiu para o México, planejando inicialmente apenas alguns meses de viagem antes de se estabelecer em uma nova cidade.
A decisão, embora dolorosa no momento da separação, transformou-se em um capítulo fundamental para seu crescimento pessoal. O plano inicial de "entrevistar" Miami e Los Angeles como possíveis novos lares foi substituído por uma vida de descobertas contínuas por diversos países.
Da crise à descoberta em solo mexicano
O ponto de virada ocorreu sete meses após o início da jornada, quando Samantha soube que seu cargo seria eliminado. A transição para o trabalho freelance consolidou sua condição de nômade digital, permitindo que continuasse viajando sem estar atrelada a um local fixo.
Sua estadia na Cidade do México, planejada para uma semana, estendeu-se por quase três meses após ela se apaixonar pela cultura local. "Esses pequenos momentos me ajudaram a aprender o quão adaptável eu realmente era", relatou Samantha à Business Insider. Ela explorou galerias de arte, aprendeu espanhol, fez amigos e entendeu que podia construir uma vida social e profissional em qualquer lugar.
Rotina nômade e encontros efêmeros
Nos anos seguintes, Samantha adotou um ritmo lento de viagens, passando quatro a cinco meses em cada destino, incluindo Paris, Lisboa, Málaga, Londres, Melbourne e Tulum. Entre os períodos no exterior, ela retornava a Nova York para recarregar as energias em sublocações ou apartamentos de amigos.
A liberdade de tomar todas as decisões sozinha, desde onde comer até como passar os dias, foi um dos aprendizados mais marcantes. "Cada dia, me impressionava a sorte de ter cada decisão mínima sendo apenas minha", afirmou. Essa autonomia, no entanto, não significou solidão. A jornalista destacou a "magia de se conectar com estranhos" como parte essencial da experiência.
Laços temporários e lições duradouras
Encontros casuais renderam amizades significativas, mesmo que temporárias. Em Tulum, uma conversa após uma aula de yoga intensa resultou em um dia inteiro de companhia com uma canadense. Em Paris, um encontro em um café com uma mulher mais velha e uma viajante solo da Coreia do Sul levou a dois dias de exploração conjunta pela cidade.
Essas experiências ensinaram a Samantha que "nem todo lugar tem que ser um lar permanente, e nem todo relacionamento tem que durar para sempre". A memória desses encontros, segundo ela, permanecerá mesmo após o fechamento de seu capítulo nômade.
Retorno a Nova York com novas perspectivas
Após três anos, Samantha esvaziou sua unidade de armazenamento e assinou um contrato de aluguel de um ano em Nova York. O período como nômade digital terminou, mas deixou um legado de autoconhecimento e abertura para novas aventuras.
As experiências vividas, desde os pequenos momentos nas cidades até o tempo sozinha consigo mesma, deixaram-na "mudada para melhor", pronta para inspirar seu próximo capítulo, mesmo com os pés fincados temporariamente em um endereço fixo.