Um barco de madeira com aproximadamente 105 migrantes naufragou no Mar Mediterrâneo, resultando em duas mortes confirmadas e 71 pessoas desaparecidas. O acidente ocorreu na tarde de sábado (04), a cerca de 26 quilômetros da costa da Líbia, próximo às plataformas de petróleo da região de Bouri. Os 32 sobreviventes resgatados e os dois corpos foram transportados para a ilha italiana de Lampedusa no domingo (05).
A embarcação havia partido da cidade líbia de Tajoura. A operação de resgate foi realizada em uma área sob responsabilidade das autoridades líbias e contou com a participação dos navios mercantes SAAVEDRA TIDE (bandeira liberiana) e IEVOLI GREY (bandeira italiana). Relatos das ONGs no local descrevem uma cena crítica, com pessoas agarradas ao casco do barco virado e outras na água, algumas já sem vida.
Críticas às políticas migratórias
Organizações não governamentais que atuam no resgate de migrantes criticaram veementemente a resposta às crises no Mediterrâneo. A ONG Mediterranea Saving Humans afirmou que a tragédia é "consequência das políticas de governos europeus que não oferecem rotas seguras e legais para migrantes".
Já a Sea-Watch relatou que um avião de monitoramento auxiliou na localização do barco e no resgate, ajudando a evitar que sobreviventes fossem devolvidos à Líbia. A organização foi enfática: "Essa é a realidade na fronteira da Europa. Pessoas em perigo não recebem ajuda a tempo".
Contexto de uma crise mortal
Este naufrágio ocorre em um contexto de aumento recorde de mortes na principal rota migratória do Mediterrâneo. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência vinculada à ONU, pelo menos 606 migrantes morreram ou desapareceram nos dois primeiros meses de 2026.
Este número representa o início de ano mais mortal desde o início dos registros, em 2014. A Sea-Watch destacou que, dias antes deste acidente, 19 corpos de pessoas que morreram de frio já haviam sido levados para Lampedusa, evidenciando um padrão recorrente de tragédias.
Dados sobre chegadas à Itália
Dados do governo italiano mostram uma redução no fluxo de chegadas por mar no início de 2026, mas a crise humanitária persiste. Entre 1º de janeiro e 3 de abril deste ano, 6.175 migrantes desembarcaram no país, número inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (11.969) e 2025 (9.399).
As nacionalidades mais comuns entre os recém-chegados em 2026 são Bangladesh, Somália, Paquistão e Sudão. O levantamento italiano também aponta que 1.314 menores desacompanhados chegaram ao território italiano até o final de março.
As buscas pelas 71 pessoas desaparecidas após o naufrágio de sábado continuam, enquanto organizações humanitárias e agências internacionais pressionam por mudanças nas políticas de fronteira e acolhimento para conter a escalada de mortes no Mediterrâneo Central.