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Em meio a um cenário de crescente competição e retornos em queda nas grandes operações de crédito privado, a gestora de ativos alternativos New Holland Capital está abrindo sua estratégia "Special Opportunities" para novos investidores. A decisão ocorre enquanto levantamentos de dados mostram apetite reduzido por empréstimos diretos tradicionais, mas a firma afirma encontrar oportunidades resilientes em nichos específicos do mercado.

A New Holland, que começou como assessora de investimentos para fundos de pensão holandeses antes de se tornar independente, gerencia cerca de US$ 7 bilhões em apostas líquidas e ilíquidas. A estratégia Special Opportunities, operada para clientes holandeses desde 2020, foi aberta a novo capital no início deste ano.

Foco em operações "fora do padrão"

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Enquanto estratégias de empréstimo direto dos grandes nomes do setor podem estar sentindo pressão, "há muito menos erosão" nas "coisas mais incomuns" que a estratégia menor da New Holland analisa, disse Scott Radke, co-chief investment officer da firma. O foco está em negócios ou eventos que não são escaláveis ou repetíveis, ficando abaixo do radar dos maiores players, explicou Andrew Parchman, sócio da gestora.

"Não estamos vendo compressão de spreads nos negócios que estamos analisando", afirmou Parchman. A estratégia busca acordos rápidos no estilo "ponte" e fará parcerias com fundos especializados em operações únicas. Em 2025, a firma aplicou e realizou mais de US$ 250 milhões na estratégia.

Colaterais incomuns e mudança no apetite do mercado

A gestora emprestará para operações que ofereçam tanto ativos tangíveis quanto intangíveis como garantia – como uma frota de jatos particulares ou a propriedade intelectual de um novo medicamento prescrito em fase de teste –, além de negócios sensíveis ao tempo e oportunidades de parceria peculiares.

Dados da With Intelligence mostram que os investidores institucionais (LPs) não têm o mesmo apetite pelo produto básico do setor como antes. Em 2025, estratégias de empréstimo direto levantaram US$ 106 bilhões, ante US$ 141,8 bilhões em 2024. "Não é o mesmo investimento que costumava ser há alguns anos", comentou Radke sobre a estratégia padrão de crédito privado.

Perspectiva em um mercado em mudança

Parchman acredita que qualquer desaceleração na captação de recursos para crédito privado, devido a receios sobre o cenário de crédito, dará mais poder de negociação a players como a New Holland sobre os termos dos acordos. "Você fica ainda menos propenso a receber 'turistas' entrando no mercado", disse ele.

O fundo, do tipo "evergreen" (perene), busca girar suas posições relativamente rápido e tem despertado o interesse de family offices "que podem estar um pouco céticos em relação ao empréstimo direto", completou Radke.